2009-02-03 16:47:00
Jacqueline Lopes/midiamaxnews
Pelo segundo ano consecutivo o País vive uma queda no número de acadêmicos formados em cursos específicos para professores e
“No caso da química, poucos se forma e isso não significa que eles escolheram a sala de aula porque muitos acabam indo para a indústria”, pondera Teixeira.
O Brasil enfrenta problema para formar professores de 5ª a 8ª série e ensino médio e segundo o Censo do Ensino Superior, divulgado ontem pelo Ministério da Educação, publicado nesta terça-feira na Folha de São Paulo, em 2007, 70.507 pessoas formaram-se nessa área, 4,5% a menos que em 2006 e 9,3% a menos que em 2005.
Realidade
As maiores quedas de 2006 para 2007, entre as disciplinas obrigatórias, ocorreram em letras (-10%), geografia (-9%), química (-7%) e filosofia (-5%).
Conforme o presidente da Fetems, problemas de desvalorização profissional ocorridos nas décadas de 80 e 90 são observados agora, neste levantamento.
“Foi um período em que os jovens observaram a desvalorização do magistério. Eram seis meses de salários atrasados. Hoje, há cursos para professores em escolas particulares porque nem todas as universidades públicas oferecem”, diz Teixeira.
Ao contrário da pesquisa do MEC, que aponta a falta de professores de língua portuguesa,
Daqui para frente, conforme Teixeira, haverá uma adequação para a realidade do País com fechamentos de salas de aulas das escolas públicas, retração da construção de escolas e um movimento para melhorar a qualidade do ensino com a utilização da estrutura física. “É esse o desafio”.
Luta
Em dezembro do ano passado o STF (Superior Tribunal Federal) aprovou a adoção do piso salarial. Os professores em começo de carreira do Estado que hoje recebem R$ 2,1 mil por 40 horas para lecionar aos alunos do Ensino Médio vão passar a receber R$ 2,4 mil. “Nós do Mato Grosso do Sul comemoramos. O STF decidiu pela constitucionalidade do piso salarial, porém os ministros suspenderam o aumento da carga horária para planejamento temporariamente. Vamos continuar lutando porque não acreditamos na Justiça burguesa e o mérito ainda não foi julgado”, disse Teixeira.
Porém, o tempo de planejamento de extraclasse não foi aprovado. Na prática, hoje os professores de Mato Grosso do Sul trabalham 30 horas em sala de aula e têm 10 horas semanais para o planejamento. O projeto de aprovação do piso nacional prevê 13h30 semanais para o professor preparar a aula.
Estudo
Um estudo do próprio MEC aponta que há 300 mil pessoas dando aulas no país em áreas diferentes dais quais se formaram. Há formados em matemática, por exemplo, que trabalha como professor de física ou historiador que dá aula de geografia.
Pesquisadores da área de educação afirmam que a falta de interesse em ser professor tem ligação com os baixos salários pagos no magistério e à pouca valorização social da carreira.
O ministro Fernando Haddad (Educação) diz que o governo federal tomou quatro medidas, no Plano de Desenvolvimento da Educação, para tentar reverter o quadro.
São elas a expansão das universidades federais, a criação de 28 institutos de educação tecnológica, que terão que reservar 20% do orçamento para a formação de docentes em áreas específicas, acordos com 19 Estados para a capacitação de 360 mil professores em instituições públicas e, finalmente, a bolsa de iniciação à docência (para alunos de graduação).
"[Até então] a bolsa de iniciação científica induzia estudante a optar por bacharelado ao invés da licenciatura", afirma o ministro da Educação.
O censo traz um dado animador no que trata do ensino infantil e dos primeiros quatro anos do fundamental (1ª a 4ª série). Aumentou em 6,8 %o número de formados em pedagogia..
Método
O censo não capta, separadamente, todos os universitários que estão em cursos que formarão professores para as disciplinas específicas do ensino básico. Isso porque um aluno que está em um curso denominado "matemática", por exemplo, dependendo da universidade, poderá trabalhar no magistério, mas ele não é contabilizado como matriculado em um curso de "formação de professor de matérias específicas".
A análise do estudo aponta, porém, que mesmo com essa dificuldade metodológica, pode-se concluir que há redução nas áreas que formam docentes. Isso porque nas disciplinas específicas em que há queda, ou há redução dos concluintes nos cursos genéricos (letras, por exemplo, com queda de 9%) ou a elevação é pequena (como em química, 5%).
Informações da Folhaonline









