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sábado, 27 de junho de 2026

Líder indígena se diz preocupado com o futuro de seu povo

2009-01-24 20:14:00

Vilson Nascimento

O líder indígena Lico Nelson de 72 anos, que ao longo de sua vida sempre atuou junto às comunidades indígenas das aldeias Amambai e Limão Verde em Amambai, vê com preocupação a situação atual de seu povo, principalmente da juventude guarani-kaiowá das duas aldeias, com a entrada desenfreada de bebidas alcoólicas e drogas como maconha e o crack nas reservas indígenas.

Lico, que diz ter trabalhado como enfermeiro na Funai (Fundação Nacional do Índio) entre os anos de 1972 e 1996, se diz assustado com o alto índice de violência entre índios e agora contra a população branca, onde em menos de dois anos, quatro pessoas brancas morreram barbaramente assassinadas por indígenas embriagados ou sobre efeito de substâncias entorpecentes em Amambai.

“O consumo de bebida alcoólica entre os índios sempre existiu, mas antes era controlado, havia fiscalização. Nos últimos anos, com a falta de atuação por parte da Funai, o consumo começou a aumentar muito e a gerar problemas dentro das comunidades. A situação se agravou ainda mais nos últimos dois anos com a chegada das drogas que tem gerado muita violência”, disse o líder indígena ao ressaltar que sob efeito de bebidas aliadas a drogas, jovens indígenas perdem totalmente o controle, não reconhecem pais, irmãos e agem com extrema violência, atacando pessoas e cometendo delitos que jamais praticariam se tivessem lúcidos.

“Sem a imposição de limites a situação está ficando cada vez pior. Nós, guarani-kaiowá estamos completamente abandonados pela Funai. Não existe nenhuma ação para prevenir e evitar a entrada de bebidas e drogas nas aldeias e não existe nenhum programa educativo elaborado pela Funai ou pelo Poder Público para orientar a juventude sobre os problemas das drogas e muito menos ações para atender e recuperar jovens que já estão envolvidos com os vícios. Sem nenhuma ação por parte das autoridades competentes, nossa visão é que esse problema vai se agravar ainda mais ao longo dos anos e a insegurança será total, tanto para a população indígena quanto para a população branca que já começa a sentir os efeitos desse descaso”, disse Lico Nelson ao ressaltar que durante um “Aty Guassu”, realizado na Capital do Estado, Campo Grande, foram apresentadas, pelos próprios indígenas, diversas propostas de adequação ao Estatuto do Índio visando proteger e garantir a subsistência dos povos indígenas.

Entre as propostas apresentadas, segundo Lico Nelson, está a separação dos detentos indígenas dos demais presos nas cadeias. “Antes não tínhamos índios traficantes e agora são diversos casos de prisões de patrícios por tráfico de drogas. Entendemos que ao ficarem presos junto com traficantes e outros tipos de criminosos, os indígenas acabam aprendendo coisas ruim e ao saírem acabam levando essas ações para dentro das aldeias”, ressaltou Lico ao relatar que nas propostas de adequação do Estatuto do Índio, a bebida alcoólica e a entrada de drogas nas aldeias também foram temas debatidos.

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