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sexta-feira, 26 de junho de 2026

Índios acusam desvio de R$ 43 mil em combustíveis

2009-01-21 11:22:00

Nove caciques da reserva indígena Buriti se reuniram nesta tarde com o administrador regional da Funai (Fundação Nacional do Índio) em Campo Grande, Jorge Antonio das Neves, para cobrar providências sobre suposto desvio de R$ 43 mil em combustíveis, além de verbas para a compra de arame para a atividade agrícola nas aldeias.

Segundo os caciques, uma pequena parte deste montante chegou à comunidade. O resto consta como pago em documentos da Funai, mas na prática não foi repassado às aldeias.

O problema levou os índios da região de Sidrolândia e Dois Irmãos do Buriti a derrubar do cargo o chefe do posto indígena Buriti, Samuel Dias, e eleger um novo representante.

Os caciques suspeitam que Samuel possa estar envolvido em esquema comandado pelo ex-administrador regional da Funai em Campo Grande, Claudionor Miranda.

Entretanto, ao Campo Grande News, ele nega qualquer envolvimento no esquema de desvio de gasolina, óleo diesel e arames das aldeias.

“Realmente o antigo administrador deve ter usado de má fé. Ele determinava e eu assinava os documentos, como se estivesse recebendo as benfeitorias, mas na verdade não estava”, justificou.

Segundo ele, o antigo administrador da Funai alegava que o processo estava em licitação, entre outras desculpas para não repassar o combustível às aldeias.

“Foi bobeira da minha parte, fico com isso dentro de mim. Ele falava que os processos estavam em pregão, me enganava, eu fico triste por estar sendo acusado de coisas que eu não cometi”, declarou.

Documento apresentado pelo atual administrador revela que entre os dias 19 de agosto e 19 de dezembro do ano passado, foram liberados R$ 43.170,29 para a compra de 13.865 litros de óleo diesel e mais gasolina para atender as nove comunidades indígenas.

Entretanto, nem a metade deste valor foi repassado. “Estou prestando contas do que a Funai repassou, que é para eles terem uma noção do que se passa, e antigamente não se fazia isso. Minha preocupação é com o índio, que já não tem, o branco chama o índio de preguiçoso, agora a própria Funai tirar do índio não está certo, tinha alguma coisa acontecendo de errada aqui”, afirmou Jorge Antônio das Neves.

Ele promete fazer um levantamento nas contas da antiga administração para descobrir quem são os verdadeiros culpados pela não entrega destes materiais às aldeias.

Um exemplo da disparidade entre o que dizem os documentos e o que realmente é recebido pelas aldeias, é o caso do cacique Elizur Gabriel, cacique da aldeia Buriti. A papelada apresentada pela Funai atesta que foram enviados para sua comunidade 30 rolos de arame, mas nenhum chegou às mãos do líder indígena.

A CGU já havia determinado levantamento nas contas do órgão. Foi determinada uma junta interventora, composta por 3 pessoas, após a exoneração de Claudionor no cargo.

Prestação de contas – No dia 31 deste mês, Jorge Antônio das Neves se reúne com lideranças indígenas da região de Miranda, incluindo os postos Cachoeirinha, Pilad Rebua e La Lima.

Em seguida, ele viaja para Nioaque, no começo de fevereiro, para prestar contas e discutir problemas ocorridos nas aldeias daquela região.

Eleição – Durante a reunião desta tarde, os nove caciques elegeram por meio de consenso o novo chefe do posto indígena Buriti, que será Vanderliz Mamedes, técnico agrícola.

Participaram do encontro os caciques Valcélio Figueiredo, Lourenço Rodrigues, Elizur Gabriel, Ilson Dias Cordeiro, Valdeci Silva Reginaldo, Dodô Reginaldo e Edmar Silva.

Fazem parte do complexo Buriti, onde vivem mais de 6.500 índios, as aldeias Recanto, Tereré, Buriti, Lagoinha, Água Azul, Barreirinha, Córrego do Meio, Oliveiras e Olha D’água.

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