2009-01-21 20:59:00
Vilson Nascimento
Após deixar a comunidade indígena da Aldeia Limão Verde em Amambai, por mais de 30 dias sem água no final do ano passado, a Funasa (Fundação Nacional de Saúde) voltou a abandonar os moradores de reserva, que já estão a cerca de 10 dias sem água potável novamente.
O motivo do desabastecimento, segundo a Fundação, foi o mesmo que gerou a falta de água no final do ano, novamente a queima da bomba do único poço artesiano existente na reserva indígena que segundo a Funai (Fundação Nacional do Índio) conta com mais de 1.100 moradores, todos indígenas da etnia guarani-kaiowá.
Com a falta de água potável, mais uma vez os indígenas voltaram a colocar a saúde e a própria vida em risco buscando água contaminada em bebedouros de gado em fazendas vizinhas à aldeia ou caminhando por cerca de dois quilômetros, dividindo espaço entre os veículos em uma rodovia sem acostamento, para buscar água em um riacho situado na região.
Falta de solução
No final do ano passado, após denúncias realizadas pela imprensa relatando o problema e o encaminhamento de um ofício por parte do Ministério Público Estadual cobrando uma solução para o problema, a Funasa, que afirmava já ter trocado quatro bombas queimadas no mesmo poço em menos de dois meses, voltou a substituir a bomba danificada, mas não tomou nenhuma atitude para resolver o problema de forma definitiva, apesar da cobrança da população indígena local para que se implantasse outro poço na aldeia para evitar novos desabastecimentos.
Na época a Funasa se defendeu alegando que a Enesul (Empresa Energética do Mato Grosso do Sul) não estaria fornecendo a energia necessária para tocar a bomba que acabava trabalhando forçada, provocando danos no equipamento.
Procurada pela reportagem a Enersul, por intermédia de sua equipe técnica local em Amambai, informou que medições apontavam que o transformador estaria recebendo exatamente a energia que a Funasa havia contratado da empresa e não havia nenhum problema em relação ao fornecimento.
Ainda naquela época o coordenador regional da Funasa
Busca de solução
Por telefone na manhã dessa quinta-feira (22), o chefe do Pólo Regional da Funasa em Amambai, David Pereira, informou que uma nova bomba já estava em Amambai para substituir a danificada e para a troca só estaria sendo aguardada a chegada de um caminhão equipado para prestar os serviços, que estaria vindo da Capital do Estado, Campo Grande.
Índios denunciam sobrecarga em transformador
De acordo com lideranças da reserva indígena, a sobrecarga de ligações de redes no transformador da rede elétrica que alimenta a bomba seria o possível motivo da oscilação de energia, que estaria danificando as bombas colocadas nos poços.
Segundo os indígenas no mesmo transformador que fornece energia para o poço estaria ligado a rede que fornece energia para o Posto de Saúde e para uma escola municipal que funciona dentro da reserva indígena.
Na manhã dessa quinta-feira (22) a Prefeitura de Amambai mandou eletricistas para a reserva indígena para tentar identificar o problema para buscar uma solução definitiva.
Prefeitura tenta amenizar o problema
Há três dias, ao tomar conhecimento sobre o desabastecimento de água na Limão Verde, o coordenador municipal de saúde indígena em Amambai, Ivo Alves, levou o problema ao conhecimento do secretário municipal de saúde, Ednor Bampi e do prefeito Dirceu Lanzarini que garantiram apoio para o abastecimento das caixas de água da aldeia com emprego de caminhão pipa.
A Prefeitura forneceu bateria e combustível para um caminhão pipa pertencente a própria Prefeitura que está cedido ao Corpo de Bombeiros Militar e estava parado por problemas na bateria e falta de combustível.
Com o veículo funcionando, o coordenador de saúde indígena, Ivo Alves, com apoio do coordenador da Defesa Civil em Amambai, Sargento Bombeiro Wilson Vicente Ferreira, de integrantes do Corpo de Bombeiros do município e da Sanesul, que forneceu água potável, passaram a abastecer os moradores da reserva indígena com o emprego do caminhão pipa.
Segundo a equipe na quarta-feira (21) foram levados dois caminhões de água que foram distribuídos em caixas localizadas em diversos pontos da reserva indígena e diretamente às famílias.
“Nossa meta é realizar mais pelo menos duas viajem de água para a aldeia nesta quinta-feira para tentar amenizar o desabastecimento”, informou, na quarta, o coordenador municipal da Defesa Civil, Wilson Vicente.
Matéria atualizada às 10h39 desta quinta-feira












