2009-01-04 10:03:00
O ex-prefeito de Dourados, Laerte Tetila (PT), deixou uma “herança” cara para seu sucessor, Ari Artuzi (PDT): uma dívida de R$ 42 milhões, incluindo a folha de pagamento de dezembro.
O “rombo” inclui atraso no pagamento de aluguéis, contas telefônicas, fornecedores e prestação de serviços. Os dados foram levantados pela equipe que assumiu o setor financeiro da prefeitura, por meio das secretarias de Finanças e de Receita.
Os valores não incluem dívidas antigas deixadas por administrações anteriores à petista.
Outro número que preocupa a nova administração é o saldo bancário da prefeitura, apenas R$ 80 mil, depois de Tetila anunciar que deixaria R$ 13 milhões em caixa.
“Na verdade são R$ 9 milhões para fins específicos, são valores já direcionados. É o caso de R$ 2,5 milhões que já estão destinados à construção de casas populares, dentro de programas habitacionais. Esse dinheiro, grande parte destinada pelo governo Federal, não pode ser utilizado para pagar a dívida do Tetila”, reclamou Artuzi, em entrevista à imprensa.
Os secretários, João Azambuja e Ignez Medeiros (Receita e Finanças), respectivamente, revelaram que somente em energia o débito é de R$ 11 milhões, resultado de três anos sem pagamento.
Além disso, existe ainda uma dívida com a Sanesul, no valor de R$2 milhões, que corresponde a um período de aproximadamente dois anos sem pagamento, além de pelo menos R$ 240 mil de contas telefônicas. Esses débitos estariam todos em negociação, segundo as informações da administração anterior, mas a prefeitura terá que fazer uma reavaliação.
Artuzi também está preocupado com o pagamento do funcionalismo público. O salário de dezembro, por exemplo, não foi pago e o valor da folha ultrapassa R$ 11 milhões.
A secretária Ignez Medeiros disse que são situações complicadas e que estão sendo analisadas com cautela.
“Trata-se de dinheiro dos funcionários que o prefeito anterior deixou de repassar. Precisamos avaliar com cautela todos os compromissos financeiros que não foram cumpridos”, informou.
Já o secretário João Azambuja explicou que o setor financeiro está buscando alternativas para tentar resolver este débito de R$ 42 milhões.
“Vamos avaliar a melhor forma de negociação para não prejudicar o andamento da máquina”, frisou.
Entretanto, lembrou que, em média, a arrecadação do município é de R$ 15 milhões ao mês, aumentando apenas durante o recebimento do IPTU.
“Fica difícil pagar R$ 42 milhões com apenas R$ 15 milhões de arrecadação, por isso vamos procurar renegociar o que for possível”, afirmou o secretário.
SALÁRIOS– Artuzi informou que vai antecipar a data de pagamento do funcionalismo público. Será todo o dia 30 e não mais dia 5, como vinha fazendo a antiga administração. A intenção, segundo ele, é prestigiar os servidores e ajudar a aquecer a economia local.
“Vou pagar em dia desde a primeira folha, ou seja, quem trabalhar em janeiro vai receber este mês mesmo. Mas ainda não decidimos como e quando vamos pagar a folha de dezembro deixada pelo ex- prefeito. A única coisa que poço garantir é que o pagamento vai ser feito assim que tivermos dinheiro em caixa”, informou.










