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terça-feira, 23 de junho de 2026

Periscópio `Dois casos exemplares´ por Antonio Luiz

2008-12-12 14:10:00

Dois casos exemplares

Caso 1:O governador democrata do Estado de Illinois, Rod Blagojevich, e seu chefe de gabinete, John Harris, foram presos sob acusação de tentar obter benefícios pessoais em troca da nomeação do substituto do presidente eleito dos EUA, Barack Obama, no Senado. A promotoria pública acusou ainda o governador de fraude, conspiração, suborno e de ameaçar o jornal Chicago Tribune. Obama, que assumirá a presidência em 20 de janeiro, renunciou a sua vaga no Senado por Illinois pouco depois de ser eleito. De acordo com a legislação americana, o governador é responsável pela escolha do substituto. No entanto, antes das eleições gerais de novembro, um juiz federal havia autorizado a instalação de escutas para obter conversas de Blagojevich, que já vinha sendo investigado pelo FBI. “Eu quero é ganhar dinheiro”, disse ele em uma das gravações feitas na véspera da eleição de Obama. “Essa cadeira no Senado vale muito. Não é o tipo da coisa que se dê para alguém em troca de nada.” Segundo o FBI, o governador estava sob investigação havia mais de um ano, mas ninguém esperava que ele pudesse ser pego em razão da venda do cargo de senador.

Caso 2:A Polícia Federal desarticulou no Espírito Santo o que considera uma quadrilha comandada por magistrados, acusada de venda de sentenças e crimes contra a administração pública. Na operação, batizada de Naufrágio, foram presas oito pessoas, entre as quais o presidente do Tribunal de Justiça, Frederico Guilherme Pimentel, e a diretora encarregada de distribuir os processos, Débora Pignaton Sarcinelli, além de outros dois desembargadores, um juiz, dois advogados e um membro do Ministério Público.

Ironia do destino: Como foi preso pela manhã, o presidente do TJ não pôde comparecer a uma solenidade em que receberia uma medalha da Associação do Ministério Público do Estado do Espírito Santo por serviços prestados contra a corrupção. A PF requisitou uma máquina de contagem de dinheiro ao Banco do Brasil para fazer a totalização das notas encontradas na casa de um dos presos, o desembargador Elpídio José Duque. As cédulas eram de baixo valor e o montante ficou em cerca de R$ 500 mil. Na casa do procurador de Justiça, Eliezer Siqueira de Souza, um dos alvos das buscas, a polícia encontrou 16 armas de uso restrito, cuja posse só é permitida às Forças Armadas ou órgãos policiais. Eliezer não constava da lista de detenções, mas acabou preso em flagrante por posse ilegal de armas.

Conclusão:Mais uma ironia: as duas prisões aconteceram na última terça-feira, dia 9 de dezembro, “Dia Internacional de Combate à Corrupção”. Os dois casos são exemplares e semelhantes, tendo porém, uma diferença básica. O primeiro foi nos Estados Unidos, onde o criminoso cumpre pena mesmo, e como já antevêem os analistas políticos, o senhor Rod Blagojevich deverá amargar uma “cana” razoável e sua carreira política simplesmente volatizou, acabou. Já os senhores juízes brasileiros devem sair da cadeia nos próximos dias e tudo ficar por isso mesmo, enquanto o povo otário elege um bando de malfeitores para dirigir o país. Nós merecemos mesmo um presidente que afaga bandidos como Delúbio Soares, Waldomiro Diniz, Zé Dirceu, Luis Gushiken, Antonio Palocci, José Genoino, Severino Cavalcanti e Renan Calheiros ou os “aloprados”. Bem feito para nós!!

Palavras de um “Estadista”

 “Imagine se um de vocês fosse médico e atendesse um paciente doente. O que você falaria para ele? Olha companheiro, você tem um problema, mas a medicina já avançou demais, a ciência já avançou demais, nós vamos dar tal remédio, você vai se recuperar? Ou você diria: Sifu? Vocês diriam isso para um paciente de vocês? Vocês não falariam”.

Onde será que o “Pinóquio” presidente pensa estar? Com sua pretensa “superioridade”, desta vez o “dono da verdade” extrapolou, ao usar palavras inadmissíveis para um primeiro mandatário, num de seus discursos  “me engana que eu gosto” – aliás, outro entre os muitos ridículos, mal educados, cada vez mais normais em suas manifestações. “Esse é o meu presidente!”

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