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segunda-feira, 22 de junho de 2026

Editorial “Fronteira” por Clesio Ribeiro

2008-11-28 15:49:00

Duas informações não muito satisfatórias para a nossa fronteira. Primeiro, a divulgação do IDF (Índice de Desenvolvimento Familiar) que mostra a nossa fronteira como um dos locais com pior qualidade de vida do Estado. E outra notícia foi o cancelamento da licitação da pavimentação da Sul-Fronteira, entre Sanga Puitã e Sete Quedas, uma obra anunciada no governo Zeca e que vem sendo adiada de tempos em tempos. Dois assuntos que merecem reflexão e ação.

Quanto ao Índice de Desenvolvimento Familiar (IDF) que apontou Paranhos e Japorã como os municípios com as piores avaliações, há que se considerar algumas questões. Primeiro, que esses municípios estavam isolados do resto do Estado, sem acesso asfaltado até pouco tempo. No caso de Japorã, a obra foi inaugurada no final do governo Zeca e Paranhos está recebendo asfalto que dá acesso ao resto do Estado nesse governo, do André. Outra questão é a grande população indígena que esses dois municípios concentram.

Amambai também figura entre os municípios com IDF baixo. E um dos fatores é a população indígena, que é grande, cerca de 8 a 9 mil índios, numa população de 34 mil habitantes, o que corresponde a cerca de 25%.  O IDF foi criado com base nos dados do Cadastro Único dos programas sociais do Governo Federal (que registra as famílias com renda per capta inferior a meio salário mínimo) e levam em conta seis indicadores, entre eles a vulnerabilidade das famílias inscritas no Bolsa Família, as condições de moradia, o acesso à informação e o desenvolvimento infantil.

De qualquer forma, é uma informação que preocupa. Temos que melhorar a qualidade de vida da nossa população. Esse é o recado dessa pesquisa. Temos argumentos para chegar ao Governo do Estado e até ao presidente Lula para que a nossa região de fronteira tenha, de fato, um tratamento diferenciado, voltado a melhorar a vida das pessoas. Quanto à pavimentação da fronteira, há controvérsias sobre a sua real necessidade. Mas de qualquer forma é uma obra que foi anunciada e que agora, mais uma vez, foi adiada.

A falta de representatividade política sempre foi um problema para a nossa região. Atualmente não temos nenhum deputado da fronteira na Assembléia Legislativa e muito menos na Câmara Federal. Mas não é só essa a questão. A questão é que os governos precisam tratar a fronteira com uma preocupação a mais em relação às outras cidades, levando em consideração as suas peculiaridades. E os projetos e ações que cada órgão desenvolve têm que ser levados à sério em busca de resultados que melhorem, de fato, a vida da nossa população. Um exemplo: índios passando sede. Um absurdo!!!

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