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sexta-feira, 19 de junho de 2026

Palhano receberá de Azambuja titulo de cidadão de MS

2008-11-20 09:08:00

Kelly Venturini
 
O homem que deu um dos primeiros passos na busca pela independência da pecuária de Mato Grosso do Sul receberá, do deputado Reinaldo Azambuja (PSDB), o titulo de cidadão Sul Matogrossense, em solenidade na Assembléia Legislativa, nesta quarta (19).
 
O deputado Estadual Reinaldo Azambuja (PSDB) concederá neste dia 19 (quinta-feira) de novembro o Título de Cidadão Sul Matogrossense ao Sr. Francisco de Albuquerque Palhano.
 
Para Azambuja, que destaca ser de suma importância prestigiar pessoas que contribuíram com o desenvolvimento do Estado: “Inúmeros seriam os merecedores desta honraria (…) dentre estes escolhemos o Chiquinho Palhano por sua tamanha visão. Ele foi responsável por tão importantes transformações em um dos maiores canais da economia de nosso Estado que é a pecuária”. E completa:

“Entendemos ser o exemplo de vida e de trabalho a mais forte justificativa para a concessão deste titulo, que, a bem da verdade, é muito pouco para tanto o quanto de bom e de significativo foi feito por Palhano ao nosso Estado”. Finalizou.

A História de Chiquinho Palhano

Francisco de Albuquerque Palhano é filho de José Palhano e de Ambrozina de Albuquerque Palhano. Nasceu em Campina Grande, aos 19 de novembro de 1924, Estado da Paraíba. Seu pai, industrial e comerciante, foi ativo participante das lutas políticas que se desenrolaram naquele Estado nordestino, sendo em razão disto obrigado a transferir seu domicílio para, o então, Mato Grosso, fixando-se em Campo Grande, por volta do ano de 1933, com uma empresa comercial de secos e molhados (Casa Palhano), uma das mais importantes da cidade e região.
Chamado pelo pai, aos 15 anos e tendo concluído o ginasial, seu único curso didático, chegou a Campo Grande aos 2 de Janeiro de 1940, integrando-se de corpo de alma nos negócios da Família e, um ano após sua chegada, foi levado à maioridade para tornar-se sócio da Empresa.
 
É casado com a Senhora Maria Erlita Freire Palhano, também de Campina Grande, companheira fiel e sempre presente em todas as horas. Da feliz e duradoura união nasceram 08 filhos, que lhes presentearam com 17 netos e 3 bisnetos.
 
Francisco, simpático e extremamente comunicativo, logo se tomou para os amigos e fregueses da Casa Comercial, o Chiquinho, epíteto que acolhe até hoje.
 
Com uma ampla visão para o comércio, em meados dos anos quarenta percebeu que Mato Grosso tinha tão somente uma atividade econômica, a pecuária. Se quer tinha o Estado lavoura de sustentação, importando de São Paulo todo o grão de consumo. Percebeu que dependente da pecuária e vital para ela: o sal, não poderia o Estado socorrer-se de São Paulo com as sobras de seu consumo interno.
 
Chiquinho pensou longe e resolveu, numa tacada arriscada, porque pioneira: importar o sal diretamente da fonte produtora, de Mossoró, no Rio Grande do Norte, isto em grandes quantidades e a granel. Para tanto precisava montar infra-estrutura de transporte (de navio do Rio Grande do Norte a Santos e ferroviária de Santos a Campo Grande, pelas estradas de ferro Sorocabana e Noroeste do Brasil); para tanto necessitava de apoio do governo federal e, num trabalho ousado e de formiguinha, o obteve. Foi para Santos e durante três anos, jovem ainda, pôs mãos a obra, conseguindo transferir para os depósitos da Casa Palhano, aqui em Campo Grande, repetidas e grandes quantidades de sal a granel, ensacando-os a cada trinta quilos em Usina também da família, para tanto montada na Rua General Wolgrand.
 
Era o sinal da independência da pecuária do sul de Mato Grosso, economia que pela visão de Chiquinho vinha tendo extraordinário crescimento.
 
Com acendrado espírito de iniciativa, solidário e amante da terra que o acolheu, Chiquinho Palhano esteve, como está, aos 83 anos, partícipe de todos os movimentos sociais, culturais, políticos e econômicos que visem o desenvolvimento de Mato Grosso do Sul. Foi presidente da Associação Comercial e Industrial de Campo Grande, a mais antiga entidade representativa das forças econômicas do Estado. Por quarenta anos dirigiu a empresa comercial e industrial da família e, ao encerrar as atividades dela, tomou-se pecuarista e agricultor de visão atilada e progressista.
 
Tem como lazer o exercício da literatura. Culto e percuciente na análise dos fatos atuais, memória privilegiada para os fatos pretéritos, e autor de uma obra interessante onde conta a saga de sua Família, "Do Cariri ao Pantanal". Escritor escorreito, alegre, perspicaz e muitas vezes contundente, e cronista para os bons momentos da vida e intransigente no combate aos males da corrupção e dos maus governos.

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