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quinta-feira, 28 de maio de 2026

Periscópio – Brasil, o país do “Esporte” – por Antonio Luiz

2008-10-03 23:40:00

Brasil, o país do “Esporte”

Cada vez que o governo ou alguma “autoridade” anuncia uma obra, qualquer que seja o porte, ou a vontade de patrocinar grandes eventos, tenho um ataque de urticária, me coço todo de raiva com a roubalheira da qual o pobre e idiota povo brasileiro será vítima mais uma vez.

No começo dessa semana, o Tribunal de Contas da União divulgou a segunda parte do Relatório Final sobre as contas do Panamericano, realizado em 2007 no Rio de Janeiro. Segundo os auditores, o povo brasileiro – não apenas o carioca, suposto beneficiário das obras – pagou mais de 1.500  por cento do orçamento previsto inicialmente. Faz já uns três anos que não vou ao Rio, mas sei, de fonte segura, que de todas as obras realizadas para o evento, apenas o Estádio Olímpico, mais conhecido por Engenhão, administrado pelo Botafogo, está em condições de uso, quando não é depredado por torcedores do lanterninha Fluminense. Isso sem contar que acabaram com o autódromo de Jacarepaguá para construir um monte de “elefantes brancos” totalmente desativados após os Jogos. Isso significa que o otário pagou quinze vezes mais o que deveria – ou não deveria? – ser o custo previsto. O presidente do Comitê Olímpico Brasileiro, Carlos Arthur Nuzman, é um homem de um cinismo, uma cara-de-pau que chega a ser humilhante. Sua administração produziu, além da roubalheira, a maior delegação que o país já enviou a uma Olimpíada, como aconteceu em Pequim, e trouxe apenas três  medalhas de ouro, mesmo assim, porque Cesar Cielo e Maurren Maggi são excepcionais, se superaram, mas quase não tiveram apoio do COB – a Maurren chegou até a ser perseguida e execrada. A seleção feminina de vôlei foi a exceção, mas merecia, assim como os “lutadores” Robert Scheidt, Thiago Camilo e mais uma meia dúzia. Nuzman teve o desplante de afirmar que o desempenho brasileiro foi excelente. Assim como disse no Panamericano, onde ganhamos um “caminhão” de medalhas concorrendo com atletas do terceiro escalão americano e canadense e um bando de famélicos latino-americanos. E, pagando quinze vezes mais. Se a nossa performance na China foi pífia em termos esportivos, talvez possamos nos orgulhar de ser medalha de ouro, prata e bronze no quesito roubalheira. Felizmente já há um movimento de empresários cariocas para excluir o senhor Nuzman do gerenciamento do dinheiro público destinado ao esporte (?).

Infelizmente sediaremos a Copa de Futebol de 2014. Praticamente não tivemos concorrentes e jamais me esquecerei da cara de frustração e constrangimento do presidente da FIFA, Joseph Blatter, ao anunciar o Brasil como sede do evento. Parece que, de repente, o senhor Blatter teve um ataque de comiseração pelo povo brasileiro. Deve ter desconfiado que mais uma vez nos roubariam descaradamente. Ainda não começou, mas certamente seremos achacados. Por enquanto a briga se restringe a quais serão as sedes da famigerada Copa. Os políticos estão se digladiando para não perder, nem que sejam migalhas, desse apetitoso quitute. O presidente ficou todo “pimpão” com a escolha do Brasil e considerou uma vitória do governo. Mas nós já sabemos há muito tempo que quando o governo ganha, o povo se lasca. Somos nós que pagamos a conta. A máxima dos Césares romanos continua atualíssima – Justiça seja feira, é em quase todo o planeta: “Pão e Circo” para abrandar as massas. Que se danem Educação ou Saúde, o que importa é que o povão esteja “feliz”.

Se os brasileiros não têm um pingo de juízo, pelo menos sobrou-lhes um nacozinho de sorte. Mesmo com o governo liberando inicialmente 82 milhões de reais apenas para a confecção do portfólio e despesas para a candidatura do Rio de Janeiro, parece que a cidade não tem a menor chance de ser escolhida. Graças a Deus! Concorre com Chicago, Madri e Tóquio, ou seja, a não ser que o Comitê Olímpico Internacional seja acometido de uma loucura incurável e generalizada, não há como vencer qualquer uma das cidades concorrentes. Mas, o seguro morreu de velho; sempre é bom cruzar os dedinhos, pois autoridade brasileira é capaz de “dar nó em pingo d’água”. São feras nesse item corrupção. A sorte é que do outro lado existem pessoas supostamente sérias. Portanto, para as Olimpíadas 2016 vamos agradecer ao Todo-Poderoso por ficarmos com um prejuízo bem menor do que os senhores políticos desejariam.

Bons Cidadãos – Domingo próximo nós vamos votar. São eleições municipais, mas não menos importantes do que as outras. É nosso dever escolher candidatos que atendam os anseios de toda a população e não interesses pessoais. A sua escolha afetará a minha vida, assim como a meu voto afetará a sua vida. Somos responsáveis diretos pelo futuro da nossa cidade, portanto, pense bem. Pense em toda a comunidade, pense como cidadão.

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