2008-10-02 00:34:00
Especialistas no setor de saúde afirmam que os grandes desafios dos municípios brasileiros nessa área estão mudando rapidamente e que um dos principais problemas atualmente é a falta de integração entre diferentes partes do governo e de programas de prevenção.
“Hoje, os principais desafios dos municípios são institucionais”, diz o Dr. Claudio Robson Fracalanza, especialista em saúde pública. “Faltam ações intersetoriais. Na maioria dos municípios, os diferentes setores ainda trabalham de forma separada”, afirma.
Segundo o especialista, a maior parte dos municípios ainda precisa aprender a integrar políticas em áreas como saneamento básico, coleta de lixo, canalização e tratamento de esgotos, fornecimento de água, proteção do meio ambiente e outras que estão relacionadas à prevenção e à qualidade de vida.
Muitas vezes, setores que à primeira vista não parecem diretamente relacionados à saúde acabam tendo impacto na melhoria de indicadores.
O coordenador da Unidade Técnica de Promoção da Saúde da Organização Pan-Americana da Saúde (Opas), Dr. Fernando Rocabado, afirma que o fornecimento de água tratada e o controle de dejetos, por exemplo, podem ser uma maneira de reduzir a mortalidade infantil com menos dinheiro do que seria gasto em internações hospitalares.
“Municípios que concentram tudo apenas em serviços de saúde estão limitados”, diz Rocabado.
Avanços- Especialistas afirmam que, apesar dos problemas, a saúde pública nos municípios brasileiros evoluiu muito nos últimos anos.
Avanços da medicina, campanhas de vacinação, maior acesso a serviços de saúde e até o aumento de escolaridade da população provocaram profundas transformações no setor de saúde.
“Antes, a principal causa de mortalidade eram as doenças infecto-contagiosas. Hoje, há outras causas, como doenças cardiovasculares, cânceres, trânsito e violência”, diz a Dra. Rosilda Mendes, coordenadora do Centro de Pesquisas e Documentação em Cidades Saudáveis (Cepedoc) da USP.
A expectativa de vida também vem aumentando no país. Segundo dados da Síntese de Indicadores Sociais divulgados na semana passada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a expectativa de vida ao nascer subiu 3,4 anos de 1997 a 2007, passando para 72,7 anos.
De acordo com Fracalanza, com o aumento da expectativa de vida veio a necessidade de reduzir gastos no tratamento de doenças crônicas. Segundo ele, a melhor forma de fazer isso é com o trabalho de prevenção.
O especialista diz que os municípios deveriam investir em projetos de incentivo à atividade física, dança, saúde mental e outras formas de produção e prevenção de saúde, com uma visão mais ampla e integrada.
Entre as soluções sugeridas pelo especialista estão maior flexibilidade na hora de investir os recursos e capacitação contínua dos profissionais.
Segundo o especialista, muitos dos municípios que hoje ostentam bons indicadores na área de saúde conseguiram isso graças a um investimento de longo prazo, não apenas em hospitais e laboratórios, por exemplo, mas também em formação de capital humano.











