2008-10-01 10:16:00
Suzana Machado
A atividade começou a se desenvolver com mais força nos últimos dois anos no município, mas ainda enfrenta problemas como preços baixos e a concorrência de outros Estados, onde o setor de hortifruti é mais estruturado.
Em Amambai ainda são poucos os produtores que trabalham com as hortas. O paranaense Nelson Hilário Wildner, que veio para Amambai já há três décadas, há cerca de 15 anos trabalha com hortas e afirma que uma das dificuldades enfrentadas pelos produtores é com relação aos preços e a concorrência advinda de outros estados, principalmente do Paraná.
Nelson é proprietário de uma das maiores hortas do município (um hectare e meio de área) e atualmente fornece verduras e legumes para um dos maiores supermercados da cidade e para o 17º RC Mec.
“Trabalho no ramo desde a década de 80, mas comecei a ter lucros mesmo com a atividade nos dois últimos anos. Há quase 20 anos, você precisava vender
O produtor de hortifrutigranjeiros ressalta que falta mais interesse e valorização dos comerciantes locais com relação aos produtos originários do município. “Ainda são poucos os comerciantes que valorizam nossa produção. Agora mesmo, estou para perder todo esse repolho que está plantado aí, porque os mercados daqui não estão comprando o repolho do município. Estão comprando de fora, pagando um centavo no quilo do repolho. Para nós, fazer isso é inviável, uma vez que uma semente de repolho sai no valor de 0,15 centavos. Quando se vende o quilo a um centavo, não existe lucro.”
Nelson, que investiu muito na área que cultiva, afirma que ela também acaba sendo pequena para o cultivo de outras culturas. “Se tivesse mais espaço poderia plantar milho, abóbora, diversificar a produção e ter mais opções de oferta para o mercado, também.”
De acordo com Nelson, são poucos os produtores que conseguem manter a produção no mesmo ritmo durante todo o ano. “São pouquíssimos os produtores que agüentam o verão; a grande maioria pára. Isso faz com que a demanda aumente nos meses de janeiro, fevereiro e março, quando as pessoas consomem muito mais verduras. Então, quando existe essa demanda alta, acaba que não tem verdura suficiente para atender aos pedidos.”
Para Nelson, a atividade ainda se encontra instável. “Tem dias em que o mercado pega
De acordo com o produtor, o que poderia acabar com essa instabilidade no setor seria a atuação efetiva da Cooperbai, cooperativa criada pelos produtores do município, que trata da produção de mel, leite, piscicultura e hortifruti da cidade. “A cooperativa já possui documentação, pode emitir nota fiscal, tem CNPJ, tudo certo, mas precisa funcionar efetivamente no setor de hortifruti, que é nossa área. Com ela funcionando, poderíamos até vender para outros municípios; iria melhorar muito. A parte do mel já estão mexendo, mas me parece que o setor de hortifruti vai ficando sempre para o último.”
Para Luiz Antônio Torezan, diretor financeiro da Cooperbai, o que falta, também, é mais união por parte dos próprios produtores de hortifrutigranjeiros do município. “Somos poucos e ainda desunidos. Para essa cooperativa ter força, primeiro nós temos que unir nossos esforços e trabalharmos em conjunto.”
Outra deficiência da área, segundo Torezan, é a falta de mão-de-obra especializada. “A ausência de mão-de-obra especializada também interfere no desenvolvimento. Precisamos de mais pessoas que entendam do setor para que a atividade crie mais força. Pessoas compromissadas e que queiram trabalhar mesmo.”
Para o produtor, o envolvimento maior dos comerciantes é fundamental. “É preciso que eles valorizem os produtos daqui e comprem das nossas hortas. Uma coisa leva à outra; com o fortalecimento da cooperativa, pode-se criar uma fábrica de conservas, o que diminuiria muito a perda de alguns alimentos. A atividade se desenvolveu bastante nos últimos dois anos, mas temos um potencial ainda maior que pode ser atingido. Para isso é necessário que se faça esse trabalho em conjunto: produtores, comerciantes, município e cooperativa.”












