2008-09-28 10:00:00
Vilson Nascimento
Uma criança indígena de apenas seis meses de idade morreu asfixiada por fumaça dentro de casa no início desse mês, setembro, na Aldeia Amambai em Amambai.
A família acendeu uma fogueira para se aquecer do frio e a fumaça tomou conta da casa. No dia seguinte a criança, que vinha recebendo atendimento regular por parte das equipes de Funasa (Fundação Nacional de Saúde) e gozava de boas condições de saúde, amanheceu morta.
O corpo foi submetido a exame necroscópico onde o médico legista constatou que a criança morreu asfixiada após aspirar grande quantidade de monóxido de carbono (fumaça).
Problema irreversível- Apesar de ser o primeiro caso de morte de criança provocada pela intoxicação por fumaça desde 1999, em aldeias pertencentes ao Pólo Base da Funasa em Amambai, a unidade da Fundação Nacional de Saúde que assiste mais de 11,8 mil índios em aldeias de Amambai, Coronel Sapucaia e Aral Moreira, confirma que boa parte dos problemas respiratórios,principalmente em crianças com idades inferiores a cinco anos, estão relacionados a fumaça que aspiram diariamente em seus lares.
Ao tomar conhecimento do problema, nossa reportagem esteve visitando residências de algumas famílias em aldeias de Amambai e constatou que em algumas casas ou barracos até tem fogões a gás, mas por falta de recursos para comprar o GLP (Gás Liquefeitos de Petróleo) ou “gás de cocinha”, como é mais conhecido, as donas de casa apelam para fogão a lenha improvisados no quintal da residência ou até mesmo dentro de casa.
Dona Joaquina Nunes de 36 anos, residente na Aldeia Limão Verde em Amambai é um exemplo. Casada e mãe de sete filhos, a guarani-kaiowá até tem um fogão deixado por um familiar, dentro de sua residência, mas o equipamento nunca foi utilizado por ela.
A dona de casa relatou que em dias de clima seco e de calor, ela improvisa um fogão a lenha do lado de fora da pequena casa para fazer almoço e janta, mas em dias de chuva e de frio, o fogo para fazer comida e até mesmo se aquecer do frio, é implantado dentro do pequeno barraco.
Em outras residências visitadas pela nossa equipe constatamos o mesmo problema. Em algumas delas, para se livrar da fumaça, as famílias constroem pequenos barracos paralelos às casas onde residem e montam suas cozinhas, também improvisadas.








