2008-09-16 08:02:00
Depois de dar ordem para fechar o Parque dos Poderes aos produtores rurais, o governador André Puccinelli (PMDB) foi até a Famasul (Federação de Agricultura e Pecuária de Mato Grosso do Sul) na tentativa de evitar uma reação contra o governo, após o fechamento. Ele reforçou que a ordem veio de cima: de Brasília e pediu ao produtores que não desistam das manifestações.
Durante reunião na tarde de ontem, ele criticou a política indigenista da Funai (Fundação Nacional do Índio), que, segundo ele, consiste em apenas dar terra aos indígenas. “Deram oito mil hectares para os Kadiwéus, e hoje os índios estão na miséria, as únicas ações sociais que são vistas lá, são ações do governo do Estado. Não tem um tostão da Funai”.
No início da noite de hoje, o governador se reunirá com o presidente da Funai, Márcio Meira, e com dois assessores do Palácio do Planalto. A princípio, a reunião seria no dia 4, mas foi adiada para ontem.
Mesmo com o fechamento do Parque do Poderes, o governador pediu para que os produtores continuassem mobilizados e que fossem ao Parque, mesmo que permaneçam a distância. “Inicialmente as entradas do Parque seriam fechadas, mas mandei os policiais recuarem um pouco mais”, adiantou.
O governador disse ainda que inicialmente quer esgotar todas as possibilidades políticas, e só depois partir para o confronto. “Não confronto físico, mas sim na Justiça”, emendou. “Vamos brigar sim, mas com a Funai, não com o governo federal. Porque o governo federal tem caneta mais forte que a minha”, avaliou.
Ele enfatizou que todo o processo tem de ser pacifico, e que os índios estão dispostos a encaminhar todas as negociações pacificamente.
Puccinelli defendeu a incorporação da sociedade indígena à sociedade branca. “Vamos incorporá-los ao processo produtivo comercial, vamos incorporá-los ao sistema educacional. Nós temos tantos exemplos de indígenas que são advogados, engenheiros. Vamos ampliar estes exemplos”, disse, lembrando que o governo doou equipamentos agrícolas para algumas aldeias, mas que mesmo assim a produção é baixa, em comparação com produtores tradicionais.
Cobrança – Durante a reunião, alguns produtores pediram ao governo uma posição mais firme da Funai, que segundo eles, não tem cumprido os compromissos que tem feito com o governo do Estado e com a classe. “É por isso que hoje nós termos uma reunião com a Funai, onde estarão presentes dez testemunhas. Faremos um documento e eles vão ter de assinar, e cumprir o que for dito”, respondeu Puccinelli.
Ivo Medeiros, produtor, disse que está disposto a não permitir que nenhuma outra fazenda seja invadida. “A Funai tem de fazer o papel dela caso contra haverá confronto neste Estado”, disse exaltado.
“É bom que a Funai venha aqui para perceber como está tensa a situação aqui. Porque até agora não caiu a ficha deles”, avaliou o governador.
Na reunião estarão presentes representantes de vários setores da sociedade, entre eles da Assembléia Legislativa, dos municípios e de pequenos e grandes produtores rurais.










