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quarta-feira, 27 de maio de 2026

Bolívia reduz pela metade envio de gás ao Brasil

2008-09-11 12:13:00

Um novo incidente em um gasoduto boliviano provocou nesta quinta-feira a redução para menos da metade do volume normal no envio de gás natural ao Brasil, informou o consórcio operador do sistema de transporte do gás.

O Transierra, consórcio do qual participa a Petrobras, afirmou em um comunicado que "durante a noite/madrugada uma válvula de segurança (…) foi manipulada, gerando a interrupção total do serviço pelo (gasoduto) Gasyrg". Segundo uma fonte que falou à Agência EFE, o país suspendeu o envio de 55% do gás contratado pelo Brasil.

O gasoduto está localizado 50 km ao norte da cidade de Villamontes e 900 km a sudeste de La Paz, não região do Chaco, onde se encontram os maiores campos produtores de gás. O gasoduto transportava 14 milhões de metros cúbicos diários e sofreu na quarta-feira uma redução de 3 milhões de metros cúbicos após outro incidente atribuído pelo governo a manifestantes de oposição.

A Petrobras, por meio de sua assessoria de imprensa, informou que não vai se pronunciar sobre o assunto até que todos os fatos sejam apurados. O Ministério das Minas e Energia também não confirma a informação, mas o ministro Edison Lobão informou que o governo brasileiro já tem uma estratégia montada para evitar o racionamento de gás e convocou uma coletiva de imprensa para a tarde de hoje.

O fornecimento total de gás da Bolívia para o Brasil, antes dos incidentes no gasoduto de Transierra, na região do Chaco, girava entre 30 e 31 milhões de metros cúbicos diários.

O ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, está reunido com técnicos do ministério e com a Petrobras para tomar medidas adicionais ao plano de contingência da estatal e enfrentar o corte de fornecimento de gás natural da Bolívia.

Segundo a assessoria do ministro, às 16h Lobão dará uma entrevista coletiva para detalhar a operação que tentará evitar problemas de abastecimento no país.

A indústria paulista é particularmente dependente do gás boliviano, assim como boa parte da frota de veículos movidos a gás no Sudeste do Brasil.

Protestos- A oposição ao presidente Evo Morales, de esquerda, intensificou os protestos no leste da Bolívia contra o governo nos últimos dias.

Na quarta-feira, Morales pediu que o embaixador dos Estados Unidos, Philip Goldberg, deixasse o país, afirmando que ele está apoiando os protestos.

Autoridades do governo chamaram os ataques ao duto de "terroristas" e o ministro da Fazenda afirmou na quinta-feira que a Bolívia está trabalhando para restaurar as exportações ao Brasil.

"O governo está reforçando a militarização nos campos petroleiros e outros pontos suscetíveis a atos terroristas", afirmou Luis Alberto Arce a jornalistas em Brasília.

Os incidentes não afetaram a exportação de gás para a Argentina, também provenientes da região de Chaco, segundo fontes da área energética governamental.

As exportações de gás ao Brasil e à Argentina são a maior fonte de divisas da Bolívia e devem superar este ano os 2 bilhões de dólares, segundo dados oficiais.

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