2008-09-09 10:38:00
A questão da demarcação de terras indígenas não pode sair do foco da discussão. A passeata realizada em vários municípios, inclusive em Amambai, no último sábado, deve ser apoiada por todos. Por repetidas vezes o tema deve continuar sendo objeto de preocupação de todo mundo. Qualquer projeto ou projeção que se faça sobre a economia e expansão da nossa cidade e região está na dependência de como se desenrolarão essas demarcações.
Em Amambai centenas de pessoas participaram da passeata. O número de pessoas poderia ser bem maior se houvesse uma mobilização mais intensa da sociedade. O emprego de nossos filhos, a melhoria da qualidade de vida da nossa comunidade, o sonho da casa própria, enfim, o nosso projeto futuro, morando em Amambai e municípios vizinhos, tem relação com essa questão.
Na avaliação da Federação de Agricultura e Pecuária de Mato Grosso do Sul (Famasul), a dimensão da área pleiteada pela Funai (Fundação Nacional do Índio) para ser transformada em aldeias indígenas terá um impacto enorme na economia do Estado. A área nos 26 municípios representa 22% da área territorial de Mato Grosso do Sul; 1/3 da área economicamente aproveitável; 28% da produção do Estado; 60% da produção de alimentos; 37% das exportações de MS; 25% do Produto Interno Bruto (PIB) de MS; conta com 12.650 estabelecimentos econômicos; absorve 21% da mão-de-obra do Estado e tem 16% da massa salarial de Mato Grosso do Sul.
Que os índios precisam ser melhor assistidos pelo Governo e melhor aceitos pela sociedade é um fato. Mas há uma incerteza entre as próprias instituições sobre a eficácia dos projetos e planos que desenvolvem a favor dos índios. Afinal, até hoje eles (que defendem os índios) não chegaram a uma definição se o índio deve viver separado dos brancos em suas reservas indígenas ou se seria melhor ele ser inserido no meio social, como cidadão comum, com plenos direitos e deveres. As políticas que têm dado resultados positivos até hoje são as assistencialistas na área de saúde, alimentação e educação. Na área produtiva o resultado é praticamente zero.
Tirar uma área produtiva e economicamente representativa para o Estado para atender a uma demanda de terras para os povos indígenas é colocar a região num estado de retrocesso, que pode inclusive comprometer a qualidade de vida dos próprios índios, que não terão uma vida melhor simplesmente com um pedaço maior de terra. A economia do Estado e da região é importante tanto para os “brancos” quanto para os índios. Esse projeto de demarcação, do jeito como está sendo proposto pela Funai, é inaceitável.









