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terça-feira, 26 de maio de 2026

Fazendeiros criam rede de proteção contra invasões

2008-09-05 18:33:00

Fazendeiros da região de Dourados montaram uma rede de proteção contra invasões indígenas. De acordo com Marisvaldo Zeuli, tesoureiro do Sindicato Rural da cidade, os produtores estão organizados para expulsar qualquer invasor das fazendas, "nem que seja a força". Os produtores se respaldam no artigo 5º da Constituição Federal, que trata da inviolabilidade do domicílio.

“Nós faremos o que for necessário, dentro da lei, tendo em vista o direito à propriedade privada”, garante lembrando que, se o diálogo com os invasores não funcionar “até a força pode ser usada para garantir nossos direitos”.

Segundo Zeuli, a rede funcionaria da seguinte forma: a região foi dividida em três, no caso de uma fazenda invadida o proprietário telefona para três outros proprietários, que ligarão para mais três, e dessa forma em dez minutos cerca de sessenta fazendeiros estarão a caminho da área invadida. “Toda essa mobilização é legal”, garante.

Ao chegarem a propriedade invadida, os fazendeiros tentarão negociar, garante o representante do sindicato. Caso não tenham sucesso, a ordem é "expulsar" os invasores, nem que tenham de usar força, admite o produtor, apesar de novamente afirmar que não "querem guerra". 

O esquema foi criado após a Funai (Fundação Nacional do Índio) iniciar em Mato Grosso do Sul estudos antropológicos que podem resultar em desapropriações.

Zeuli disse que não há a intenção de entrar em confronto direto com os índios, nem de usar armas. “Nós não queremos outra situação como a que ocorreu durante a demarcação da aldeia Panambi, que foi muito dolorosa, e deixou marcas que são visíveis até hoje tanto entre índios, quanto entre brancos”, lembra. “Se for para desapropriar, que seja feito de forma transparente e ordeira, e que se pague o que for justo para o produtor”, acrescenta.

Economia –
Conforme Zeuli, as terras que estão sob estudo compreendem uma área de mais de três milhões de hectares, enquanto a área plantada no Estado é de apenas um milhão e meio. Ele ainda alerta que a sociedade não está ciente dos impactos que desapropriações nestas proporções podem causar na economia. “Até agora a briga só está entre os sindicatos rurais, a Famasul (Federação de Agricultura e Pecuária do Estado de Mato Grosso do Sul) e a Funai, mas a sociedade tem de lembrar que as economias de Dourados, assim como de Campo Grande são movidas pelo agro-negócio. Sem a produção no campo não tem comércio na cidade”.

Para que a população tome conhecimento da questão, está marcada para hoje às 19h uma audiência pública na Câmara Municipal de Dourados, que contará com a presença de vereadores da região. E para amanhã uma passeata que partirá da Câmara seguindo pela avenida Marcelino Pires até a praça Antonio João. Durante o percurso serão distribuídos panfletos explicativos.

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