2008-07-05 09:49:00
“Operação Perfeita”
Confesso que me emocionei ao ver ao vivo a chegada da ex-senadora colombiana Ingrid Bettancourt e mais quatorze sequestrados à Base Aérea de Catam. Eu e quase que todo o planeta. As exceções ficam por conta do governo brasileiro que ainda insiste em naõ considerar as Farcs como um grupo terrorista mantida pelo narcotrafico e o execrável Marco Aurélio Top Top Garcia que deve estar se remoendo de raiva pela derrota dos seus amiguinhos. Basta ler a nota rídicula divulgada pelo governo brasileiro: “O Presidente da República tomou conhecimento da libertação da Senadora Ingrid Bettancourt e de outros 14 reféns que se encontravam seqüestrados pelas Farc. Ao enviar seu abraço fraternal aos reféns hoje libertados e a seus familiares, o Presidente Lula manifestou satisfação com essa notícia tão aguardada pela comunidade internacional. Expressou a esperança de que tenha sido dado um passo importante para a libertação de todos os demais seqüestrados, a reconciliação de todos os colombianos e a paz na Colômbia”. Só isso, para um ato recheado de comoção e simbolismo.
A minha emoção foi por imaginar o que aquela mulher e seus companheiros passaram durante todos esses anos de cativeiro. E olhe que tinha gente com mais de dez anos longe da família e da civilização. São pessoas heróicas que naquele momento estavam tranbordando felicidade – e nem poderia ser de outra maneira – por saber que seu martírio havia terminado. Até havia um dos reféns que trazia um animalzinho nas costas, talvez seu grande amigo nesses anos todos.
Me surpreendeu a aparência da ex-senadora. As notícias que eram divulgadas antes, davam conta de uma mulher muito doente, com várias patologias próprias do ambiente inóspito das selva e esperava-se uma mulher alquebrada, carregada, em cadeira de rodas talvez, com a voz sumida…Nada disso, tirando-se a justifica emoção, Ingrid estava bem lúcida, articulada e ainda falando um francês perfeito. Tinha um equilíbrio que faltou a muitos governantes vizinhos.
Respondendo a uma pergunta do New York Times, Ingrid voltou a agradecer, por duas vezes, a sua libertação ao presidente Álvaro Uribe, contrariando essa conversa fiada dos simpatizantes dos terroristas – lembrem-se do Top Top – que ficam dando opinião na imprensa brasileira. A mãe de Ingrid também foi grata a Uribe, lembrando que sempre criticou muito o atual governo.
Contrariando a conversa mole vigente por aí, Ingrid disse que defende, sim, operações de resgate, apesar dos riscos. E afirmou que é melhor morrer pondo as mãos na liberdade, ainda que por alguns instantes, do que morrer na mão dos terroristas.
No final da noite de quarta-feira, me dividi entre assistir o jogo da Libertadores e o pronunciamento do presidente da República da Colômbia. Fiquei, mais uma vez, impressionado com a clareza de Uribe que se comprometeu a continuar a busca da liberdade dos 25 reféns políticos que seguem seqüestrados pelas Farc. “Às famílias dos que continuam seqüestrados, nosso compromisso: não os esqueceremos por um momento sequer até que todos regressem à liberdade”, disse ele no discurso, no palácio presidencial de Bogotá. Uribe tem motivos de sobra para comemorar essa vitória, pois além de seu crescimento como estadista, há um componente pessoal na questão: afinal seu pai foi executado pelos terroristas das Farc.
“Que bom saber que já estão no seu país livres com suas famílias. Que bom dar está notícia à França, à Europa, que durante todos estes anos não abandonaram um único momento a doutora Ingrid Betancourt”, disse ele. Uribe disse que planejar o resgate e impedir que a operação fosse descoberta foi uma tarefa dificílima. Também disse que a decisão de não abrir fogo contra os terroristas na operação mostra o desejo do governo de encerrar o conflito.
“Não se disparou contra o grupo guerrilheiro que ficou em terra porque nós estávamos interessados na liberdade dos seqüestrados, não em derramamento de sangue. Além disso, ali continuavam alguns compatriotas seqüestrados e queríamos enviar uma mensagem, não de palavras e sim de fatos, para que tratem bem a esses compatriotas e para que os devolvam à liberdade”, disse o presidente. Os soldados cercaram 50 terroristas, mas decidiram não atirar.
Como a própria Ingrid Bettancourt afirmou: “foi uma operação perfeita”.











