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sexta-feira, 22 de maio de 2026

Força Nacional usará microcâmeras

2008-07-05 14:12:00

O militante de direitos humanos e educador Ricardo Balestreri assumiu ontem a Secretaria Nacional de Segurança Pública e anunciou que policiais da Força Nacional usarão microcâmeras no colete, para filmar ações como entrada em presídios com motins e conflitos de terra. O objetivo é evitar que os policiais cometam abusos que envolvam direitos humanos contra os presos e abusem da violência contra os sem-terra. As câmeras serão usadas pelos policiais que integrarão um batalhão especial de pronto emprego, que será criado este ano com policiais da Força Nacional de Segurança.

— O objetivo é evitar excessos dos policiais nessas ações e reduzir os abusos. Sabendo que estão sendo filmados, pensarão duas vezes. E não vai haver edição das imagens — disse Balestreri.

Esse batalhão será treinado em Luziânia (GO). O Orçamento já prevê a destinação de R$ 27 milhões para sua instalação. Por ano, serão treinados 550 policiais, que virão dos estados. Balestreri disse que esses policiais terão o “melhor treinamento do mundo”, com técnicas de treinamento anti-bomba de Israel e de soldados americanos: — Eles terão o melhor treinamento que há no planeta, a mair primorosa formação técnica mundial. Terão também os melhores capacetes, os melhores coletes e as melhores viaturas.

Balestreri ocupava interinamente a secretaria e tem assento em vários conselhos da Secretaria Especial de Direitos Humanos, como o Comitê Nacional de Combate à Tortura.

Em seu discurso de posse, ontem, ele defendeu a ampliação do uso de armas não-letais pelas polícias. Ele disse que não gosta do termo elite para classificar alguma tropa.

— Não gosto do termo polícia de elite, porque todos os policiais, mesmo os que trabalham nas áreas mais perigosas e distantes, têm que ter uma formação de elite. Segurança pública não se faz com o fígado, mas com o cérebro.

Balestreri disse que o Brasil é um dos países mais violentos do mundo, onde ocorrem 40 mil homicídios por ano.

— Em áreas urbanas, vamos substituir armas de guerra, como fuzis e metralhadoras, por armas que garantam a segurança do policial e da comunidade em volta. Vamos investir em carabinas ponto 40, que não têm poder de passar por objetos — afirmou Balestreri.

Ministro duvida de experiência de Balestreri Ao discursar, o ministro da Justiça, Tarso Genro, chegou a dizer que hesitou em nomear Balestreri para o cargo por não ter experiência como gestor.

— Disse a ele, com toda franqueza, que sei que é um formulador, bom de discurso, mas vai ficar em observação para eu saber se é bom gestor. Precisamos de alguém que mude o paradigma da segurança pública no Brasil, de um gestor que levar as concepções da academia para a teoria. E o Ricardo demonstrou que sabe fazer isso.

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