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quinta-feira, 21 de maio de 2026

Nicanor e Paulina: 70 anos de amor e muito respeito

2008-06-29 18:09:00

Falar de relacionamento estável nos dias atuais parece algo complicado, pois muitas pessoas têm sérios problemas em manter relações estáveis. Alguns namoram um dia, semanas, meses, anos e terminam, outros casam e apenas se acostumam a viver um com o outro e acabam perdendo os laços afetivos que outrora os uniram. 

Entre tantos casais, encontramos na cidade de Amambai, um casal raro. Nicanor Alves do Amaral, de 95 anos, e Paulina Macena do Amaral (dona Nena), de 90 anos, casados há 70 anos. Um casal muito peculiar, que nem é preciso dizer muito para notar o quanto se amam. Possuem um olhar tranqüilo e transmitem uma intimidade, um companheirismo e uma paz mútua que permanece viva há 70 anos.

Segundo o experiente casal, o segredo do sucesso da duradoura relação, não é nada mais do que a existência de confiança. 

“Nós sempre confiamos um no outro. Quando ela viajava para comprar produtos para nosso trabalho e para fotografar, eu ficava tranqüilo, pois se não tivesse essa confiança nela não tinha porque estarmos juntos” afirma Nicanor. Paulina destaca que os dois possuem gostos e idéias diferentes para variados assuntos, mas que nunca se desentenderam por isso. 

“Nós não gostamos das mesmas coisas, das mesmas comidas, do mesmo tempero, mas isso nunca foi motivo de desentendimento para nós, pois sabemos respeitar os gostos um do outro”, disse Paulina. Outros ingredientes para o sucessão são também as orações diárias com  muita fé em Deus e umas pitadas de romantismo. Até hoje, Nicanor colhe rosas do seu jardim e oferece-as para sua esposa.

Paulina nasceu na região na fronteira com o Paraguai e veio com a família morar em uma fazenda em Amambai, próxima do local onde os pais de Nicanor residiam. Quando conheceu Paulina, o amambaiense Nicanor Alves do Amaral  trabalhava como professor na cidade de Iguatemi. Casaram-se em 1938 e foram morar em Iguatemi até Nicanor ser transferido para Amambai, onde vivem até os dias de hoje. Tiveram oito filhos, mas seis faleceram. 

Cinco recém-nascidos, que doentes não tinham cuidados médicos adequados para tratar das enfermidades, e um que foi assassinado em 1982. Viveram momentos difíceis com a perda dos filhos, mas nunca abandonaram a companhia um do outro, sofreram e batalharam juntos.  Trabalharam com fotografia por muitos anos. Foram os pioneiros com a arte de fotografar em Amambai. Desenvolviam até o processo de revelação das fotos.

Enfim, o apaixonado casal de Amambai, que traz consigo um sentimento sincero e sempre pulsante, resolveu juntar neste sábado, 28, seus filhos, 14 netos, 19 bisnetos, amigos e demais familiares para um merecido almoço de confraternização em homenagem aos 70 anos bem vividos de um amor forte e verdadeiro.  Como já escreveu o poeta Mario Quintana: “tão bom morrer de amor e continuar vivendo”.

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