2008-06-04 11:57:00
Alguns condutores de Mato Grosso do Sul podem ter se beneficiado da rede paulista de produção de CNHs (Carteiras Nacionais de Habilitação) e a situação está sendo investigada pela PRF (Polícia Rodoviária Federal) de São Paulo que deflagrou hoje a Operação Carta Branca. O Detran-MS (Departamento Estadual de Trânsito – Mato Grosso do Sul) não chegou a ser notificado, mas tem a informação de que a quadrilha poderia ter vendido em São Paulo carteiras de motoristas falsas a sul-mato-grossenses. Segundo o diretor-financeiro da Associação das Auto-escolas de Mato Grosso do Sul, Roberto Kobayashi em 2007 uma auto-escola foi fechada na Capital, 500 CNHs falsas foram apreendidas e o Detran adotou um dos sistemas mais rígidos no controle da documentação.
“O problema hoje está em São Paulo e Rondônia. Mato Grosso do Sul é um dos estados que tem o Detran mais rígido no controle das CNHs”, frisa.
Hoje, a Justiça determinou o cumprimento de 19 mandados de prisão e 25 de busca e apreensão na região metropolitana de São Paulo. A força-tarefa composta pela Polícia Rodoviária Federal, Ministério Público e a corregedoria da Polícia Civil.
Segundo informações da PRF, um dos mandados de busca e apreensão ocorreu no Ciretran do Município de Ferraz de Vasconcelos (SP), de onde estavam sendo expedidos a maior parte dos documentos irregulares.
O ESQUEMA – O esquema tinha a participação de auto-escolas, clínicas que realizam testes físicos e psicotécnicos credenciadas à Ciretrans e de servidores públicos ligados ao processo da obtenção de CNH. Médicos, psicólogos e donos de auto-escolas foram presos. Inclusive o ex- diretor geral do Ciretran de Ferraz de Vasconcelos.
O crime consistia na obtenção fraudulenta dos documentos, que eram emitidos sem a realização dos procedimentos regulares e legais. A quadrilha tinha até moldes de silicone que eram usados para forjar impressão digital, de acordo com a PRF.
As CNHs eram vendidas para pessoas em diversos estados do Norte, Nordeste e Centro Oeste. O preço do serviço criminoso variava entre 1500 e 2200 reais. Hoje, o custo de uma CNH regularizada na Capital é de R$ 500 a R$ 680.
A Operação Carta Branca envolveu 70 viaturas e 200 policiais rodoviários federais. As pessoas detidas e os bens de apreensão foram encaminhados para a Corregedoria de Polícia Civil.
Há cerca de dois meses, 40 mil habilitações de motoristas mineiros (os CPFs dessas carteiras são referentes a Minas Gerais), expedidas em São Paulo, foram bloqueadas pelo Detran sob suspeita de irregularidades.
OUTRO LADO – Em nota oficial, a direção do Detran de São Paulo alegou que não foi informada oficialmente sobre qualquer irregularidade envolvendo funcionário público do órgão. Sobre a Ciretran de Ferraz, o Detran-SP informou que fez correição extraordinária naquela unidade, em 29 de abril, identificando irregularidades, como o desaparecimento de arquivos e a não localização de processos de emissão de CNH. Foram instalados 10 procedimentos administrativos para apuração das supostas irregularidades, envolvendo, inclusive, clínicas médicas, psicólogos e Centros de Formação de Condutores (CFCs).
Além disso, também foi encaminhado procedimento à Corregedoria da Polícia Civil para apuração de eventual envolvimento de funcionário público nas irregularidades levantadas na correição extraordinária. (Com informações da assessoria da PRF e G1)








