2008-05-30 12:09:00
Sem Péres, ficamos mais pobres
Celebrado pela consistência moral, o senador Jefferson Peres, falecido na semana passada, não via nisso motivo para homenagens.
Se oportunidade tivesse de comentar a própria despedida, diante da exaltação geral à sua conduta ética como atributo de exceção, o senador provavelmente repetiria o que dizia em vida.
“Agir eticamente para mim é tão natural quanto o ato de respirar. Não é pose, não é bandeira eleitoral, não é construção artificial de imagem para uso externo, é compromisso de vida”. Essa era sua frase definitiva e que norteou toda a sua vida pública.
Para as pessoas de bem, como o jornalista italiano Giulio Sanmartini, que sequer vive no Brasil, mas acompanha de perto o que acontece em Pindorama “É uma enorme injustiça para o país o senador Renan Calheiros “et caterva”, poder assistir as exéquias de um político com a estrutura moral e ética do manauense Jefferson Péres. São as ironias da vida.”
Num país cuja política tem se tornado um terreno fértil para o desencanto, a morte do senador Jefferson Péres configura para os cidadãos de bem uma nota lamentável. Ele representava o triunfo individual da ética, da seriedade e da dignidade num ambiente repleto de pilantras, figurões de interesses subalternos e comparsas em geral, que fazem feio diante do distinto eleitor.
Péres, não. Soube preservar-se de vícios públicos forjados em favor de benefícios privados. Jamais abdicou, como fazem alguns, da própria integridade em nome de dividendos pessoais. Acima de tudo, manteve a capacidade de indignar-se – independentemente de que força política se tratasse. Foi assim que abandonou o PSDB por discordar do governo Fernando Henrique. Foi assim também que, tendo apoiado a eleição de Lula em 2002, passou a um dos mais vigorosos combatentes contra o escândalo do mensalão, em 2006.
Conhecedor das leis, Péres integrava um dos mais prestigiados colegiados do Senado – a Comissão de Constituição e Justiça e o Conselho de Ética. Nesse último, destacou-se ao relatar o processo de cassação do senador Luiz Estevão.
No ano passado, Péres comprou briga com o então presidente da Casa, Renan Calheiros, acusado de ter contas pessoais pagas por uma empreiteira. Foi um dos primeiros parlamentares a se dirigir ao peemedebista e recomendar seu afastamento até que tudo fosse esclarecido. Relatou o terceiro processo contra Renan no Conselho de Ética e recomendou a cassação do colega, pela acusação de usar laranjas na compra de duas emissoras de rádio e uma TV, em sociedade com o usineiro João Lyra.
Recentemente recomendou a seu colega de partido, deputado Paulo Pereira da Silva, o Paulinho da Força, envolvido até a medula em recebimento de propinas do BNDS, que se licenciasse para se defender das acusações. Não foi ouvido.
Farto das batalhas políticas perdidas, o senador anunciara a retirada de cena em
Era um homem de corpo franzino, mas de uma estatura moral incomensurável. A política brasileira, que já era um desastre, fica muito pior sem ele. Já os escroques continuam por aí, se proliferando. Parafraseando a revista Veja , perdemos um “Pequeno Grande Homem”.
Vou rezar – Em que pese o esforço da presidente da CPI dos Cartões Corporativos, senadora Marisa Serrano, para que se apurasse, pelo menos parte, as safadezas do governo com o dinheiro do contribuinte, tudo vai acabar numa grande e insossa pizza.
A base aliada do governo nem precisou se empenhar. A própria oposição não queria apurar muita coisa com medo de gastos na gestão FHC. O dossiê foi apenas mais um fato, grave é evidente, que pode-se creditar a esse governo trambiqueiro que infelizmente teremos que suportar até










