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terça-feira, 19 de maio de 2026

Soldados da ONU abusam de crianças, afirma ONG

2008-05-28 12:43:00

Crianças de até 6 anos têm sido violentadas por soldados das forças de paz da ONU e por agentes humanitários estrangeiros em países onde há conflitos, como Costa do Marfim, Sudão e Haiti. A denúncia foi feita ontem pela ONG britânica Save the Children (Salvem as crianças).

A organização afirmou que o problema é grave e sugeriu a criação de um órgão internacional para monitorar os trabalhos. "O relatório mostra que abusos sexuais não têm sido reportados na escala que deveriam, porque as crianças têm medo de denunciar os agressores", disse Jasmine Whitbread, diretora da organização. "Os abusos incluem troca de sexo por comida. É inconcebível."

Após conversar, no ano passado, com mais de 250 crianças com idade entre 10 e 17 anos, os funcionários da ONG concluíram que a ameaça de retaliação e o estigma relacionado ao abuso são os principais motivos que impedem as vítimas de denunciar o crime.

A própria Save the Children demitiu três de seus funcionários, que mantiveram relações sexuais com garotas de 17 anos, e fizeram um apelo para que outros grupos façam o mesmo.

A rede britânica BBC reportou o caso de uma menina de 13 anos que foi estuprada na Costa do Marfim por dez capacetes-azuis da ONU. Nenhum dos agressores foi punido.

A Save the Children fez, no entanto, uma ressalva, afirmando que seria errado responsabilizar apenas as Nações Unidas pelos crimes. "Não estamos culpando somente a ONU – que tem milhares de soldados em boa parte das áreas em conflito -, mas sim todos as tropas de paz e agentes humanitários", disse o porta-voz da ONG, Dominic Nutt. No entanto, ele pediu que a ONU aprimore seus procedimentos para investigar crimes sexuais.

As Nações Unidas afirmaram que o estudo é bem-vindo e prometeu analisar as denúncias. O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, disse ontem estar "profundamente preocupado" com as acusações contra membros das forças de paz. "O abuso de crianças cometidos por aqueles que foram enviados para ajudar é um assunto importante e doloroso, que será combatido de maneira enérgica e exaustiva", afirmou Ban.

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