2008-05-28 02:20:00
* R. Ney Magalhães
O Rio Amambai assistiu aos primeiros passos dos meus filhos.
Suas corredeiras de águas cristalinas foram palcos das brincadeiras das crianças que assistiam ao meu trabalho de banhar os cavalos após um dia árduo no Campo e nos Ervais.
Isso acontecia no inicio da década de 1960, quando arrendatário de terras, ervateiro e empreiteiro de derrubadas de Matas eu residia em sua margem esquerda na região de Guassuty.
O Rio Amambaí está sucumbindo, aliás, como os demais Rios, córregos e outras vertentes naturais de águas desta nossa Região.
Parabéns ao Prefeito Sergio Barbosa que em boa hora criou e instalou a APA do Rio Amambaí.
CONSELHO DA ÁREA de PROTEÇÃO DO RIO AMAMBAI.
O Rio Amambai foi o curso d’água que mais marcou a minha vida.
Ao adquirir meu primeiro pedaço de Terra, agora em sua margem direita e
ao me casar com a minha mulher Hedy, foi nesse Vale que construímos nossa primeira casa e ali formamos as Pastagens e as Lavouras que nortearam nossa existência.
O sustento e o futuro de nossa família foram edificados às margens desse RIO que hoje está morrendo e que no murmurar de suas cachoeiras parece pedir socorro.
O preço do progresso foi a devastação de suas cabeceiras e vertentes.
Inescrupulosos exploradores de madeiras devastaram suas margens e suas vertentes.
As “pindaíbas”, matas alagadas comuns em suas proximidades, não existem mais, foram derrubadas.
As “matas” ciliares dos córregos e suas cabeceiras, também foram dizimadas.
E a Cabeceira mais Alta do Rio Amambaí, que era a diviza natural entre o Paraguay e o Brasil já não demarca as Fronteiras.
Essa cabeceira mais alta do Rio Amambaí, desde minha juventude aos dias atuais já recuou em muitos quilômetros.
Houve tempos em que delimitaram também a diviza entre os municípios de Coronel Sapucaia e Aral Moreira.
Naquele ponto a separação agora é por “linha seca”.
As várzeas e brejos que protegiam aquelas nascentes foram totalmente assoreados.
Esse crime ambiental não foi cometido apenas pelos produtores rurais em nome do progresso, os Governantes detentores de Patrólas e outras Máquinas pesadas, sem o menor escrúpulo ou competência, rasgaram aqueles sólos frágeis e provocaram as erosões.
Faz já muitos anos que Pecuaristas e Agricultores estão conscientizados dos cuidados ambientais.
Os Governantes, porém ainda continuam impunemente utilizando Patrólas e fazendo raspagens criminosas, abrindo valetas que com as chuvas carregam as terras assoreando as Cabeceiras.
E ainda estamos pagando altos Impostos para a realização desses crimes ambientais.
Tempos atraz, as estradas eram construídas com aterros, favorecendo o escoamento da produção e defendendo a natureza. hoje em dia com Governadores sem sensibilidade ou incompetentes como o anterior Zéca do PT e o atual Pucinelli as antigas Estradas Estaduais estão sendo chamadas de “enxurradas”.
Esperamos que os cidadãos escalados pelo Decreto do Prefeito Sergio Barbosa, sejam atuantes/ patriotas e denunciem aos Promotores de Justiça do Meio Ambiente, estes desmandos e coloquem na cadeia os “responsáveis maiores” pelos crimes que continuam acontecendo.
Ney Magalhães
Produtor Rural no Vale do Rio Amambaí. 73 anos. Sócio fundador do Sindicato Rural de Amambai
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