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segunda-feira, 18 de maio de 2026

Periscópio “Lula, o capitalista” por Antonio Luiz

2008-05-09 11:47:00

Lula, o capitalista

Na semana passada, o presidente Lula deu mais um show de comunicação – a bem da verdade, área em que é imbatível. Diante de uma seleta platéia, com destaque para o ex-presidente Collor e para o ex-presidente do Senado, Renan Calheiros, Lula festejou a “conquista” pelo Brasil do status de IG – investment grade ou grau de investimento,  classe BBB- (antes era BB+) pela renomada Standard and Poor`s, que é uma das empresas que orientam os investidores acerca de riscos concernentes ao mercado internacional de capitais. Para a S & P, é confiável quem pratica políticas neoliberais. Quanto mais neoliberal, maior o conceito do país.

Afirmou com entusiasmo o presidente: “o Brasil foi declarado  um país sério”. Para um idiota que vive às turras com a imprensa independente, que só poderia ser privada, o peso que deu a uma decisão de uma empresa também privada, fiscal do capitalismo internacional. Foi como se ele tivesse dito, em outras palavras: “somos confiáveis, viva o capitalismo!”.

Na prática, a declaração da Standard and Poor’s significa que o investidor pode investir no Brasil, pois aqui não haverá calote aos investidores estrangeiros. Quem colocar seus dólares no Brasil vai receber o dinheiro de volta com os devidos, e grandes, lucros.

O engraçado é que um dos fatores que contribuíam para a baixa classificação do Brasil era exatamente o risco de um calote, como o que houve no governo Sarney, num possível governo do Partido dos Trabalhadores, pois o PT sempre defendeu, antes de chegar ao poder, o não pagamento da dívida externa.

Felizmente com Lula no poder, o PT não apita bulhufas na área econômica – quem manda é o tucano Henrique Meirelles, todo poderoso presidente do Banco Central. O mercado internacional não tem motivo para desconfiar do Brasil. Também devemos ressaltar que a melhora do conceito já vinha ocorrendo há bastante tempo. Eu que vivo atacando o Lula, tenho que dar crédito a ele neste quesito. Tanto é verdade que na política econômica existe um consenso entre governo e oposição.

Entretanto a festa quase acabou quando uma analista da empresa americana declarou que se quisermos subir de patamar precisaremos “fortalecer a política fiscal, promovendo a reforma tributária, a reforma trabalhista, reduzir os gastos públicos e a relação entre a dívida pública e o PIB”.

Traduzindo, segundo ela: mais brasileiros precisam pagar mais impostos, inclusive os que, por impossibilidade absoluta, não pagam; devem desaparecer os últimos direitos sociais que sobraram, como férias remuneradas e décimo terceiro salário; é preciso diminuir investimentos públicos em educação, saúde e infra-estrutura; finalmente, devemos crescer menos para reduzir as dívidas pública e externa… Tudo para atender exigências de uma empresa especializada em orientar especulações estrangeiras em nossa economia. Empresa, aliás, que não contratamos e de cujos cálculos não participamos.

E o ufanismo do presidente da República chega às raias da burrice e submissão.

Lula, o solidário

Parece que tudo é permitido nesse Brasil Luliano. Crimes de colarinho branco têm um certo aval presidencial. Crimes contra o erário são uma constante entre os amiguinhos do presidente. Mostrar as despesas presidenciais com os cartões corporativos, nem pensar, até porque deve ter muita safadeza embutida. Até no hediondo crime da menina Isabella, o Lula deu seu pitaco e, como sempre, à luz de seu raciocínio canhestro.

Quando Lula proclama o seu respeito pelo ex-presidente da Câmara, Severino Cavalcanti, que cobrava mensalinho do dono de um restaurante, ou diz que nada abalará a sua amizade com o ex-titular do Senado, Renan Calheiros, ligado a um lobista que lhe pagava contas pessoais, a sua mensagem é uma ode ao deboche impune. Agora mesmo, desdenhando do princípio de que os homens públicos não apenas precisam ser honestos, mas parecer honestos, ele se solidarizou com o governador do Ceará, Cid Gomes, exposto na mídia por ter levado a sogra numa viagem ao exterior, a bordo de um jatinho alugado por R$ 388,5 mil do bolso do contribuinte. É certo que o aluguel de aviões se paga pelo percurso e não pelo número de passageiros. Mas a carona dada à sogra é só o tempero da história. Em companhia dela, da esposa, de um secretário e de um assessor, também com as respectivas, Gomes passou 10 dias entre Madri, Londres, Edimburgo, Dublin e Berlim, em visitas a feiras e eventos, com a finalidade de “buscar investimentos para o Ceará”.

Até quando teremos que suportar esses escroques!

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