2008-05-02 10:39:00
Suzana Machado
As mudanças na concepção de mundo e nos costumes se refletem em todas as áreas do comportamento humano.
A união entre duas pessoas, por exemplo, é um dos fatores que passou e passa por diversas mudanças.
Décadas atrás, o casamento era a grande finalidade da vida, principalmente para as mulheres, que eram criadas e educadas para se casarem. E casar significava ter um lar, ser responsável por ele, ter filhos e dificilmente estudar ou trabalhar fora de casa. Mas a mulher lutou e mudou muitas dessas concepções, buscando seu lugar ao sol junto ao sexo oposto. Logo, casar deixou de ser necessariamente uma prioridade (ou obrigação) e tornou-se opção e planejamento para grande parte dos casais.
Nessa mudança, o casamento oficializado (documentado em cartório e na Igreja) também pôde ser substituído pela união “informal”, o popular “amigar-se”.
A não oficialização da união pode ter vários motivos. Entre eles, a falta de recursos financeiros para arcar com os gastos de um casamento (cartório, Igreja, festa, etc) ou a definição de prioridades. Algumas pessoas preferem investir na estrutura de uma casa e deixar para oficializar o “casamento” depois.
Aumento de casamentos – De acordo com dados das Estatísticas do Registro Civil, divulgadas no final do ano passado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o número de casamentos realizados no Brasil subiu 6,5% em 2006, com relação ao ano anterior. O total de casamentos registrados no Brasil, em 2006, foi de 889.828. A pesquisa também mostrou que o número de divórcios no mesmo período cresceu 7,7%.
Esse aumento deve-se muito à realização dos casamentos coletivos, que têm como atrativo a redução dos custos, devido às parcerias entre cartórios, igrejas e prefeituras, fato que resolve, em parte, problemas relacionados à disponibilidade financeira das pessoas envolvidas.
Os dados do Registro Civil, considerando todos os casamentos, mostraram que a idade média dos homens foi de 30,6 anos e das mulheres foi de 27,2 anos na época em que se casam. Outro fato interessante da pesquisa é que entre as pessoas de 60 anos ou mais, a diferença por sexo com relação ao casamento é bem significativa, 3,4% para os homens e 0,9% para as mulheres. Como se sabe que a esperança de vida a partir de 60 anos é favorável às mulheres, percebe-se que existem fatores de ordem cultural e demográfica que fazem com que os homens, a partir dessa faixa etária, se casem mais freqüentemente.
Com relação ao número de separações judiciais, em 2006, foi 1,4% maior que em
A maior parte das separações concedidas no país foi consensual (quando ambos estão de acordo com o divórcio), 76%. A maior proporção de consensualidade nas separações judiciais concedidas, em 2006, foi observada no Mato Grosso do Sul, 81,8%.
O município – De acordo com informações do Cartório do 2º Ofício ou Registro Civil, foram realizados 99 casamentos em 2007. Este ano, até o momento, o Cartório já oficializou 40 uniões, o que gera uma média de sete casamentos por mês.
O custo para oficializar a união
Para o casamento na Igreja, além de atender às exigências religiosas da entidade onde vão se casar, para algumas instituições é necessário pagar uma taxa. No caso da Igreja Católica, é cobrado R$ 80,00 referentes às despesas da Igreja; se a pessoa contribui com o Dízimo, esse valor cai para R$ 50,00. Mas a Igreja também realiza casamentos para pessoas que possuem baixa renda e não têm condições de arcar com o valor. Uma solução está na realização de casamentos coletivos ou comunitários, que também acontecem em Amambai.
O lado empresarial – O número de casamentos oficializados não se reflete na mesma proporção para os empresários do ramo de festas.
Em Amambai, por exemplo, o número de casais que realizam comemorações de casamento tem diminuído consideravelmente nos últimos anos, de acordo com Aracy Costa, empresária do ramo.
Para Aracy, as pessoas têm deixado o casamento para segundo plano, estabelecendo outras prioridades.
Ao contrário do que manda a tradição, maio, mês das noivas, não é o mês onde se realizam mais casamentos. Os meses mais escolhidos pelos casais para se casarem são dezembro e janeiro, devido a fatores financeiros, como o 13º, por exemplo.
“Teve uma época em que as pessoas seguiam mais essa tradição, mas atualmente isso não é regra. Para maio, tenho, até o momento, um casamento agendado; antes realizávamos festas deste tipo todos os finais de semana no mês das noivas”, explica a empresária.
De acordo com Aracy, para uma reunião simples e com qualidade, que seria o equivalente a um churrasco, os noivos teriam que desembolsar no mínimo R$ 5 mil. Já para uma festa mais completa com buffet, decoração, cerimonial, fotografias, vestuários e bebidas para cerca de 350 convidados, o casal teria uma despesa de R$ 15 mil a R$ 20 mil.
Aracy concorda que o fator principal na baixa de festas de casamentos realizadas é com relação à questão financeira. “As pessoas casam, mas não fazem festa; deixam a comemoração para uma outra oportunidade, mas então vêm os filhos e essa questão continua em segundo plano.”
Outro fator que a empresária acredita influenciar muito são nos casos das uniões não-oficiais. “Existem casos em que os pais ou familiares pagam a festa. Quando o casamento não é oficial, percebo que existe um certo receio no investimento que pode ser feito em uma comemoração. É como se a oficialização em cartório e Igreja proporcionasse uma segurança maior em torno daquela união.”
Uma opção para quem tem o desejo de casar e realizar uma comemoração é o planejamento da festa. Empresas oferecem planos onde as pessoas começam a pagar a festa alguns meses antes. “Esses planos oferecem parcelas acessíveis, o que propicia aos noivos que no mês do casamento já estejam com toda a festa paga”, explica Aracy.









