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sábado, 16 de maio de 2026

Sapucaia:Judiciário “estranhou” declarações do secretário

2008-04-24 18:16:00

Vilson Nascimento

Representantes do Poder Judiciário da Comarca de Amambai, que abrange o município de Coronel Sapucaia, “estranharam” as declarações prestadas pelo secretário de segurança pública de Mato Grosso do Sul, Wantuir Brasil Jacini ao site Campo Grandenews essa semana, relatando que o município de fronteira com o Paraguai não enfrenta problemas de com falta de segurança.

Durante entrevista ao site Wantuir disse que a polícia local não precisa de reforço e a atuação do DOF (Departamento de Operações de Fronteira) na cidade é suficiente para manter a segurança.

Para o Juiz de Direito, Dr. Thiago Nagasawa Tanaka, titular da 2ª Vara da Comarca de Amambai e para o Promotor de Justiça da 2ª Promotoria da Comarca, Dr. Ricardo Rotunno, que há anos atuam na região e conhecem bem a situação da segurança pública no âmbito da Comarca, as declarações do secretário foram equivocadas, já que ele tem amplo conhecimento dos problemas que Coronel Sapucaia vem enfrentando com a falta de efetivo, tanto na Polícia Militar como na Polícia Civil e a falta condições de trabalho dos poucos policiais existentes.

“Estranhamos as declarações do secretário tendo em vista que há menos de 5 meses, durante uma passagem de Wantuir Jacini por Amambai, reforçamos a entrega de um amplo relatório, que já havia sido repassado a Secretaria de Segurança Pública anteriormente, explicando em detalhes as ações criminosas que ocorrem na região de Coronel Sapucaia, considerada um corredor para o tráfico de drogas, que acaba arrastando consigo outros crimes como furtos, roubos e homicídios. O relatando aponta também as condições precárias da segurança no município”, disse o Promotor de Justiça, Dr. Ricardo Rotunno.

Condições obsoletas- Apesar das declarações do secretário de segurança afirmando que a segurança pública está “as mil maravilhas” em Coronel Sapucaia, o que se vê na realidade é um total descaso do Governo do Estado, tanto com os profissionais da área que atuam no município como com a população local que tem que conviver com roubos e ações delituosas.

A Polícia Civil local é composta por um delegado que permanece praticamente em tempo integral dentro da Delegacia para dar conta dos mais de 400 procedimentos entre inquéritos instaurados e despachos efetuados, além de fazer o papel de escrivão, já que a Delegacia não conta com um escrivão de polícia.

Atualmente a Polícia Civil de Coronel Sapucaia não dispõe de uma viatura, já que a viatura local, um Corsa ano 2002, apresentou problemas mecânicos e foi recolhido para a Delegacia Regional em Ponta Porã e as ocorrências só estão sendo atendidas graças ao “cautelamento” por parte do Poder Judiciário, através da Vara de Execuções Penais da Comarca, de um veículo apreendido com drogas, veículo esse que só roda graças ao apoio da Prefeitura local que fornece o combustível, já que, com a viatura baixada, o Governo do Estado cortou a corta de combustível da Delegacia.

Os três únicos investigadores da Delegacia, que deveriam ir para as ruas investigar crimes, acabam se revezando em escalas de plantão de 24 por 48 horas e acaba tendo a maior parte do tempo ocupado com atendimento ao público.

A Polícia Militar local, apesar de contar com um efetivo maior, cerca de 10 policiais, também enfrenta dificuldades para atender a vasta área do município. O Departamento do Operações de Fronteira (DOF) que o secretário de segurança afirma estar permanentemente na cidade na realidade, segundo autoridades do município, não entra na cidade desde que declarações infundadas a polícia paraguaia prestada à imprensa, apontou membros do Departamento como responsáveis por uma chacina ocorrida na cidade de Capitan no Paraguai, no início desse ano.

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