2008-04-15 15:43:00
A polícia de trânsito de Mato Grosso do Sul emitiu no primeiro trimestre deste ano um volume de multas 54% maior para condutores embriagados que no mesmo período de 2007, conforme dados do Detran (Departamento Estadual de Trânsito). Para os médicos do trânsito o problema reflete um conjunto de fatores, mas passa principalmente pelo aspecto cultural.
Neste ano foram 217 flagrantes de condutores dirigindo alcoolizados contra 141 nos primeiros três meses do ano passado. Só este mês vários casos de acidentes envolvendo condutores embriagados foram registrados no SIGO (Sistema Integrado de Gestão Operacional), isso sem contar os casos em que os motoristas não chegam a ser submetidos ao teste de alcoolemia.
Não há níveis seguros de consumo de bebida para conduzir veículos. A afirmação é do presidente da Abramet/MS (Associação Brasileira de Medicina de Trânsito, seccional de Mato Grosso do Sul), Marcos Chaves. Ele observa que cada organismo reage de uma maneira e não há como estipular um parâmetro seguro de consumo permitido de álcool. Pela Legislação, até 0,29 miligramas de álcool por litro de sangue são permitidos.
“Mas a gente nunca sabe qual será a reação de um copo de uísque ou uma garrafa de cerveja. O que interessa é que não se deve beber porque o condutor pode perder a capacidade de reagir aos estímulos do trânsito ou responder de forma mais lenta”, afirma. Para ele, a intensificação da fiscalização poderia trazer resultados positivos, mas a mudança tem de ser cultural. A sociedade, acredita, é muito permissiva. Um contrasenso que cita é a venda de bebidas alcoólicas em posto de combustível.
A questão é ampla, afirma o médico. A própria falta de um sistema de transporte público de qualidade, cita, faz com que as pessoas busquem meios próprios para se deslocarem no dia-a-dia e quando saem para se divertir. Chaves afirma que o governo também tem atuado para endurecer as regras. A renovação da CNH (Carteira Nacional de Habilitação), por exemplo, fica mais criteriosa e o condutor terá atestar com assinatura as declarações prestadas sobre suas condições, podendo ser acionado por falsidade ideológica caso minta ou omita. “Eu acho que as pessoas não têm noção da responsabilidade. Elas acham que dirigir é um direito dado e na verdade é uma concessão do Estado, baseada em aspectos legais”, finaliza o médico.
Infração admitida– Em Campo Grande 2,9% dos condutores admitem dirigir após terem feito consumo considerado excessivo de bebidas alcoólicas, o que equivale a 7,7 mil, conforme indica o estudo Vigitel (Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico) do Ministério da Saúde.
A média de condutores que confessam dirigirem embriagados na Capital de Mato Grosso do Sul está acima da média nacional, que é de 2%. Os homens são os que mais abusam. O estudo ouviu entre julho e dezembro do ano passado uma amostra de 2009 pessoas em Campo Grande, das quais 18,9% responderam que fazem consumo abusivo de bebidas alcoólicas (calculado em quatro doses para mulheres e cinco para homens).
Dos entrevistados, 2,9% admitiram que dirigem quando bebem nesta proporção, o que aplicado a um universo 268.607 condutores habilitados na Capital equivale a 7.790 pessoas dirigindo embriagadas. A incidência entre os homens é maior: 5,4% deles admitiram que dirigem depois de beber excessivamente, diante de 0,6% das mulheres.









