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quinta-feira, 14 de maio de 2026

Opinião: “A festa na ilha da fantasia” Claudio Luis Agostini

2008-03-19 15:33:00


Para ser sincero contigo, leitor, e também para comigo mesmo, confesso que fiquei remoendo cá com os meus botões, os últimos acontecimentos que perlambulam os bastidores condicionados dos palácios, alas disso e alas daquilo, anexos e por aí afora, daquele pedaço de Brasil, que um dia JK fundou, lá no coração do Planalto Central, e eu creio que, para gozarem da gente.

Fico a imaginar aquele cidadão, que no ano passado, num ímpeto e último desespero, tentara invadir o Palácio do Planalto, porque sem trabalho, sem perspectivas e com Lepra (hanseníase), sem assistência e marginalizado, tentava falar com o Presidente ( aquele mesmo Presidente das três refeições diárias, da fome 0, que é zero%, e da saúde impecável), como último instrumento à sua desesperança.

 Fiquei analisando com propriedade aquele ato e invejei aquele cidadão, pois ele não gritava a todos os seus pulmões, a sua própria doença, e sim de um país que está doente, que está leproso, que está podre.

O que me apavora são os muitos “Brasis” que vamos vislumbrando ao longo deste intruncado caminho: por um lado, o Brasil doente, sem saneamento básico, desprovido de teto e de letras,  ora amarelo por febre  amarela, ora amarelo de vergonha na cara de muitos de seus cidadãos, por verem a sua terra, o seu país, mergulhados em escândalos, diuturnamente; por outro, um país de discurso, do discurso fácil e irresponsável, daqueles com tempero socialista, ( todo mundo tem saúde, está comendo bem, vestindo bem, tem trabalho, dignidade, enquanto “eu aqui”  arrebento os ricos) daquele que só fala em direitos, mas “esquece” dos deveres, daquela pele de “esquerda”, quando na verdade é a direita  mais reacionária e travestida,  é o Lobo Mau, comendo todos  os porquinhos, os Chapeuzinhos Vermelhos e até as vovozinhas, enquanto o caçador que poderia vir em socorro, queda-se  ao horror do holocausto, ou vende, na surdina sórdida, o destino dos seus concidadãos.

Prova daquilo que  estou falando, é o espírito corporativista que rola na Ilha da Fantasia. Direitos iguais e austeridade? Balela! É a maior festa, a maior farra de que já se tem notícia na história republicana deste país, com o nosso pobre, sofrido e suado dinheiro público. É dinheiro saindo pelo ladrão e para ladrão. Dinheiro até para comprar aparelhos de ginástica sofisticados, mesa de bilhar; Estamos mesmo pela bola oito. Estão fazendo de tudo que se possa imaginar com os nossos impostos, e  escudando-se , enfim, com questões de independência e soberania, com a auréola  pátria da “Segurança Nacional”… , como se gastos fúteis, como por exemplo, de Luriel,  da própria filha do Presidente, como já noticiou a imprensa deste país, fosse questão de Segurança Nacional. 

Segurança Nacional é segurarem essa gente e fazê-los devolver todo e qualquer centavo usado em benefício próprio. Segurança Nacional ( ao menos um pouco mais) terá o povo deste país, quando a administração pública a nível federal, deixar de ser a Casa da Mãe Joana, ninhos de marajás e “aspones”, e os recursos, de fato, chegarem ao cidadão comum, o seu legítimo dono. Ah, que saudades que eu tenho do meu rico dinheirinho. Como já dizia um tio meu: “Quando envolve poder público, eu e o meu pobre  dinheirinho nunca temos um momentinho a sós; sempre tem cinco ou seis na jogada”. O pior disso tudo, é ouvir o Presidente da República do meu país, falar em igualdade de  oportunidades para os cidadãos, como no seu último pronunciamento, ao mesmo tempo em que vemos tantos  desmandos, “jeitinho brasileiro”, corporativismo, empreguismo e tantos outros “ismos” nocivos que campeiam esses bastidores do poder. Por favor…Mudemos isso, por uma questão de “Segurança Nacional”: segurança nacional de saúde, de educação, merenda escolar, de segurança pública…

Claudio Luis Agostini

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