2008-03-09 15:12:00
O intendente da cidade paraguaia Capitan Bado, Joge Martinez, de 38 anos, questionou a polícia do país vizinho, a Senad (Secretaría Nacional Antidrogas), pela ausência dela na região que fica na fronteira com a cidade brasileira de Coronel Sapucaia, a 383 quilômetros da Capital. Capitan Bado é conhecida por ser uma das maiores produtoras de droga da fronteira e Coronel Sapucaia a primeira no ranking da violência das cidades brasileiras.
Martínez disse ainda que a polícia, os fiscais, a equipe da imigração e aduanas recebem dinheiro para não efetuarem as prisões.
Em matéria publicada no site www.capitanbado.com, Martinez criticou o fato da policia paraguaia, Senad, não ter um quartel na localidade que fica no Departamento de Amambay.
"Se fala de uma suposta luta entre dois grupos que pretendem exercer seu poder em terra do narcotráfico e infelizmente a Senad está ausente desses problemas”, diz Martinez.
O intendente mencionou o fato de agentes especiais fazerem operações em parte do Paraguai, mas não se aprofundam no problema do tráfico e se encarregam apenas de destruir algumas produções de médio porte de maconha.
O intendente disse ainda que em Capitan Bado 70% da população está ligada direta ou indiretamente com o narcotráfico por não terem alternativa de trabalho.
Martinez disse ainda que os donos das terras costumam arrendar as propriedades em troca da venda da metade da produção de maconha.
Tensão- O clima se mantém tenso na cidade de Capitan Bado. Mesmo com a hospitalidade das pessoas que ali moram, o ambiente é hostil e de medo. Durantes as noites, o silêncio. O comércio fecha cedo. Somente do lado brasileiro, em Coronel Sapucaia que as atividades comerciais ainda funcionam à noite.
Ainda de acordo com informações do jornal paraguaio Última Hora, cuja reportagem está publicada no site www.capitanbado.com, os brasileiros também se sentem temerosos diante dos episódios de mortes na região separada apenas pela avenida Flávio Derzi.
A patrulha noturna da policia e dos militares que cercaram a cidade não foram suficientes para garantir a sensação de segurança aos paraguaios e brasileiros que moram na região.
Inoperância- Em entrevista ao Última Hora, o intendente de Capitan Bado responsabilizou também o comandante Fidel Isasa Palácios pela inoperância dele, pois não oferece solução para o problema da falta de segurança na região. As autoridades das três cidades que fazem parte do Departamento de Amambay que são Pedro Juan Caballero, Bella Vista e Capitán Bado se reuniram para buscar uma resposta diante da situação de violência.
As autoridades solicitaram ao ministro do Interior, Libio Florentín, a troca do comandante e que no lugar de Isasa fique o comissário policial Ramón López, que já ocupou a função e, segundo a reportagem, durante seu trabalho houve um diminuição considerável na criminalidade na região.
Violência- O vereador paraguaio Epifanio Palácios, de 53 anos, foi executado na quinta-feira (6) junto com o genro, Pedro Paulo Candia Leon, de 27 anos, e Blás Antonio Espindola, vendedor que encontrava fazendo entrega no mercado da familia Palácios, onde foram executados na cidade de Capitan Bado.
O sepultamento teve que ocorrer em Pedro Juan Caballero ao invés de Capitan Bado por conta de ameaças de bombas.
No dia 2 de março, sete pessoas morreram nos fundos de uma residência em Capitan Bado, a cem metros da fronteira com Coronel Sapucaia. Um grupo de pessoas estava jogando baralho nos fundos de uma casa quando foi surpreendido por seis homens mascarados e fortemente armados com metralhadoras. Os homens teriam disparado mais de 200 tiros contra os sete homens que estavam jogando em uma mesa.
No pátio também havia crianças brincando, mas não foram atingidas. Todas as vitimas receberam mais de 15 tiros no corpo. Os atiradores depois de fuzilar todos ainda disparam um último tiro com uma arma de grosso calibre, possivelmente de M-16.
No local morreram cinco pessoas. Duas foram levadas ao centro de saúde, mas morreram no caminho. As vítimas foram Emigdio Duarte Saavedra, Heriberto Bordón Cordozo, Claudio Escurra Rodriguez, Maciel Gomez Maritinez, Martin Paredez, Cristobal Cubilla Peralta e Angel López. Todos são paraguaios, moradores de Capitan Bado.
Ranking- Foram 74 homicídios em cinco anos em Coronel Sapucaia, conforme mostra o Mapa da Violência dos Municípios Brasileiros 2008 . O estudo, divulgado pela Rede de Informação Tecnológica Latino Americano, foi elaborado em parceria com o Instituto Sangari e os ministérios da Justiça e da Saúde.
Apesar de terem ocorrido 13 homicídios na cidade em 2006 – que ocupava, com dados de 2004, o terceiro lugar da pesquisa – a população de 14,6 mil habitantes, faz com que, na média, Coronel Sapucaia ocupe o topo do ranking. O município apresenta a média de 107,2 homicídios para cada 100 mil habitantes, conforme a pesquisa, que identificou 21 assassinatos em 2002.
No ano seguinte, o número caiu significativamente para 8. Porém, em 2004, foram registrados 17 assassinatos, número que foi repetido em 2005. Já em 2006, ocorreram 13 homicídios em Coronel Sapucaia.
O estudo revela que a violência no país está concentrada em apenas 10% dos municípios. Nada menos do que 73,3% do total de homicídios ocorridos no Brasil foram cometidos nos 556 municípios mais violentos. Atualmente, o Brasil possui 5.564 municípios.
Todos os estados brasileiros possuem, pelo menos um município fazendo parte desse grupo dos 10% dos mais violentos. Além de Coronel Sapucaia, Mato Grosso do Sul tem ainda o município de Aral Moreira, figurando entre na 39ª colocação com 28 homicídios nos últimos cinco anos.
Violência juvenil- O Mapa da Violência dos Municípios Brasileiros também evidencia que entre 1996 e 2006, os homicídios entre a população jovem, de 15 a 24 anos, tiveram um aumento de 31,3%. Apesar de ter crescido mais de 30% nos últimos 10 anos, o número está em queda nos últimos anos.
Entre 1996 e 2003 foi um período de intenso crescimento da violência letal, porém, a patir de 2003, observam-se quedas significativas, as quais o estudo atribui às estratégias de desarmamento.
O estudo revela que a violência no Brasil mata mais do que a maior parte das endemias tradicionais. Na década 1996-2006 o número total de homicídios teve um crescimento superior ao crescimento da população.
No período 1994/2006, o número de óbitos causados por acidentes de transporte aumentou, porém, apresenta variações. Até 1997, período anterior ao novo Código de Trânsito, observam-se aumentos significativos no número de mortes. Em 1997 (com a nova lei) os números diminuiram. Nos anos subseqüentes (1999 e 2000), as quedas foram moderadas. Mas a partir de 2000, observam-se novos aumentos significativos no número de óbitos.










