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quarta-feira, 13 de maio de 2026

Editorial “Saúde” – por Clesio Ribeiro

2008-03-07 11:20:00


A notícia de que o Hospital Universitário de Dourados não irá mais atender pacientes de municípios da região é bastante preocupante. A notícia foi dada pelo prefeito de Dourados, Laerte Tetila (PT), que está numa briga “administrativa e política” com o governador André Puccinelli (PMDB). O Estado deve ao HU, conforme foi divulgado, R$ 12 milhões referentes a repasses atrasados pelo ex-governador Zeca do PT. O município de Dourados entrou na Justiça e ganhou a ação, mas o governador André quer que o prefeito Tetila retire a ação para que haja uma negociação, o que o prefeito não quer. Enfim, uma “birra” política que não pode levar à morte centenas de pessoas.

O governador André tem razão quando diz que houve aumento de repasses para a saúde de Dourados – por causa do incremento da arrecadação estadual, mas erra ao dizer que o problema da saúde de Dourados é de responsabilidade do prefeito de Dourados. O problema é do Estado e o André é o governador eleito para resolver os problemas desse Estado. Portanto, ele é responsável e tem o dever de dialogar para chegar a um acordo que beneficie toda a população.

Na quarta-feira, o prefeito Laerte Tetila convocou uma reunião com lideranças políticas e secretários de saúde dos 38 municípios envolvidos na questão, incluindo os da nossa região Cone Sul. Claro que os secretários municipais de Saúde vão dar apoio à essa causa, como o fizeram. Mas o problema pode, se depender da “falta de bom-senso” das partes envolvidas, tornar-se uma crise institucional e política envolvendo o governador do Estado.

O Estado sabe que os municípios não têm condições de atender seus pacientes em casos considerados urgentes e emergenciais de média e alta complexidade. Todos os pacientes que enfrentam situações que necessitam de um acompanhamento médico mais especializado e de recursos mais avançados, caem nos hospitais, ou de Dourados, ou de Campo Grande. É um vai-e-vem de ambulâncias pelas rodovias afora diariamente, tentando salvar vidas que não encontram esperança em seus municípios.

Fechar as portas do Hospital Universitário de Dourados para pacientes da região é o mesmo que decretar a morte de um número inimaginável de pessoas. Seria um ato de insanidade, um ato desumano, que não pode ser levado adiante. Primeiro resolvam os problemas da saúde pública, depois acertem as diferenças políticas e ideológicas. E como pai do Estado – como gosta de ser chamado o governador André – ele tem o dever de mediar uma saída satisfatória para o impasse. A saúde tem que ser prioridade!

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