2008-03-04 07:06:00
O suspeito de coordenar, nas ruas, os ataques do Primeiro Comando da Capital (PCC) que paralisaram São Paulo em 2006 está solto.
Carlos Antônio da Silva, o Balengo, 29 anos, fugiu no dia 27 do Instituto Penal Mariante, em Venâncio Aires, no Vale do Rio Pardo.
Único integrante do primeiro escalão da facção em liberdade, Balengo havia sido preso pela Polícia Federal na operação Facção Toupeira, em setembro de 2006, quando 40 bandidos do PCC foram surpreendidos fazendo um túnel em Porto Alegre para furtar dinheiro de agências bancárias.
Balengo estava na Penitenciária de Alta Segurança de Charqueadas (Pasc) até que, por decisão da Vara de Execuções Criminais, foi transferido para o semi-aberto, onde ficou apenas 12 horas. Na quarta-feira da semana passada, ele fugiu. Só ontem as autoridades de São Paulo receberam a confirmação oficial da fuga do líder do PCC, após um contato com a coordenadoria gaúcha dos presídios.
– Me ligaram no fim da tarde de hoje (ontem) para perguntar se o detento havia mesmo fugido e eu confirmei. Até agora, ele não apareceu e acredito que não esteja mais por aqui – disse o responsável pela Superintendência dos Serviços Penitenciários (Susepe), Bruno Trindade.
Os detalhes da fuga, segundo Trindade, não foram esclarecidos. Em São Paulo, as autoridades estranharam a decisão judicial que mandou Balengo para o semi-aberto. Quando entrou para a facção, Balengo estava preso por roubo. Ele ficou até janeiro de 2006 na penitenciária de Avaré (SP), onde estavam então reunidos os integrantes da cúpula da facção, como Marco Herbas Camacho, o Marcola.
Grupo foi destacado para levar o apenado do Estado
Balengo foi apontado ainda como suspeito de participar do seqüestro do jornalista da Rede Globo Guilherme Portanova, mas ele negou esse crime.
Pouco depois, ele se transformou em um dos líderes da maior quadrilha de ladrões do país, o bando de Antonio Jussivan Alves dos Santos, o Alemão – preso na semana passada pela PF. Responsável pelo furto de R$ 164 milhões do Banco Central em Fortaleza, em 2005, o grupo preparava outro ataque a banco por meio de um túnel quando foi desarticulado pela PF.
O plano era furtar a caixa-forte da sede do Banrisul, em Porto Alegre. e da Caixa Econômica Federal. Para tanto, o grupo comprou, por R$ 1,2 milhão, um antigo prédio do INSS, de onde construiu um túnel de 80 metros até o banco. Os federais surpreenderam o bando durante as escavações.
A fuga teria contado com a ajuda da facção. Integrantes da cúpula do PCC enviaram um advogado de Presidente Prudente (SP) para visitá-lo. Arranjaram uma equipe para buscá-lo no Estado, além de um esconderijo. A inteligência policial havia recebido, duas semanas atrás, informação sobre uma fuga que estava sendo preparada. Não se sabia quem ia escapar, até que chegou a informação de que "a carroça do Bê" (uma referência ao criminoso) já havia saído "do semi-aberto".











