2008-02-22 14:14:00
A professora de português Paula Aparecida Alves, 37, foi agredida na tarde de anteontem com socos e pontapés por um aluno de 14 anos, da 7ª série do ensino fundamental, na escola estadual Professor José Lima Pedreira de Freitas, na Vila Virgínia,
De acordo com o relato da professora, o aluno a ofendeu após ser repreendido por atrapalhar a aula. Quando estava sendo retirado da sala por uma inspetora da escola, o estudante se soltou e deu dois socos no rosto da professora. Paula tentou correr, mas foi derrubada e levou chutes no estômago.
O aluno foi contido por colegas e professores. Um boletim de ocorrência foi registrado na Delegacia da Infância e Juventude. O garoto chegou a ficar detido por algumas horas, mas foi liberado após a chegada de familiares. Paula passou por exame de corpo de delito no IML (Instituto Médico Legal), que confirmou as agressões
Em solidariedade à colega, os professores da Pedreira de Freitas se recusaram a dar aulas ontem de manhã enquanto o aluno agressor não saísse da escola –ele voltou ao prédio com a mãe para conversar com o diretor da escola, que lhe aplicou uma suspensão.
Ontem, em meio à uma bateria de exames em uma clínica particular, Paula, que é professora há 12 anos, disse que pensou em desistir da profissão e falou que pretende processar o garoto. "Ele me ameaçou, disse que vai me matar. Eu pedia para ele parar de me bater, gritava por socorro, mas ele não parava. Foi terrível", disse a professora, que passa bem.
Segundo Mauro da Silva Inácio, conselheiro estadual da Apeoesp (Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo), o garoto tem um histórico de indisciplina.
O menino disse à reportagem que não se arrepende e que agrediu a professora porque ela ofendeu sua mãe.
A mãe do estudante, de 32 anos, confirmou que seu filho já teve problemas anteriores com outros professores. "Com 9 anos, ele tentou agredir uma professora. Com 13, ele chegou a empurrar uma diretora de escola. Não sei mais o que fazer."
O NAI (Núcleo de Atendimento Integrado) está acompanhando o caso, que foi entregue à Vara da Infância e Juventude de Ribeirão.
Professores, pais e alunos vão se reunir amanhã, na frente da escola, para protestar contra este e outros casos de violência nas escolas públicas da região.
Em nota, a secretaria afirmou que o conselho da escola vai se reunir nos próximos dias para discutir o futuro do aluno.
Não foi o primeiro caso de agressão na escola. Em novembro de 2001, um aluno se desentendeu com a diretora da escola que, após sofrer uma agressão, chamou a polícia. Sobrou também para os policiais: um teve a farda rasgada e outro, os óculos quebrados.
Segundo dados da Secretaria de Estado da Educação, caiu em 17% o número de agressões de alunos a professores em todo o Estado. Em 2006, foram registrados 217 casos de agressão física e, no ano passado, 180.








