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segunda-feira, 11 de maio de 2026

Puccinelli defende boicote a produtos da União Européia

2008-02-14 08:31:00

O governador André Puccinelli (PMDB) voltou a defender nesta quarta-feira (13), após a abertura da Showtec – Feira de Tecnologia Agropecuária – em Maracajú, boicote a produtos da União Européia, como retaliação à decisão dos europeus de suspenderem a importação de carne brasileira.

O ex-ministro da Agricultura, Pratini de Morais, presidente da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carne (Abiec), também prega o boicote. Pratini é, também, presidente do Conselho Extraordinário de Relações Nacionais e Internacionais para o Desenvolvimento Econômico do Estado,

Para Puccinelli, o boicote a produtos europeus é uma resposta ainda flexível. Ele acha que se o embargo persistir, o Brasil pode adotar medidas protecionistas, dificuldade ao acesso da produtos brasileiros essenciais à comunidade européia.

Em janeiro, o governador já havia defendido junto ao presidente Lula retaliação ao embargo, chegando a propor sobretaxação. Segundo o governador, o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento está criando uma comissão para discutir o assunto com o Parlamento Europeu. Pratini lembra, por exemplo, que um quilo de carne brasileira representa 176% em impostos, enquanto a cabeça de gado é taxada em apenas 30%, ou seja, os europeus lucram demais com os produtos brasileiros.

O conflito se agravou, segundo a UE, diante da decisão do Brasil de enviar para Bruxelas uma relação de 2.600 propriedades em condições de exportar carne, justificando suas dimensões continentais. Os europeus, no entanto, queriam uma lista de 300 exportadores brasileiros. O Mapa providenciou relação de 600. Nessa jogo, os produtores já criticam o Mapa pela decisão unilateral de elaborar nova lista, sem consultar os produtores.

Nesta quarta-feira o ministro da Agricultura, Reinhold Stephanes, disse durante audiência na Comissão de Agricultura e Reforma Agrária (CRA) do Senado, que frigoríficos exportaram carne não-rastreada para a União Européia.

“Hoje eu tenho certeza disto: eles [frigoríficos] exportaram para a União Européia carne rastreada e não-rastreada”. Segundo a Agência Senado, o ministro defendeu que os frigoríficos "assumam um posição de liderança quanto a essa questão, apoiando os produtores que vendem carne rastreada".

Para vender à União Européia, uma fazenda precisa rastrear o produto, garantindo que o gado exportado não teve contato com rebanhos contaminados (com febre aftosa, por exemplo).

Certificação- Desde o ano passado, o Brasil vem enfrentando a desconfiança da União Européia no que se refere às condições sanitárias da carne exportada para o continente.

Por isso, a União Européia solicitou que uma lista de fazendas certificadas fosse elaborada – quando o país enviou uma lista de 2,8 mil propriedades, a UE entendeu que a fiscalização não poderia ter sido feito em todas as fazendas e determinou o embargo.

O bloco previa o cadastramento de 300 propriedades para fornecimento de animais para os frigoríficos. Depois da determinação do embargo, o governo brasileiro concordou em reduzir a lista para cerca de 600 propriedades.

Os certificados de exportações que permitem o embarque para o bloco deixaram de ser emitidos pelo Ministério da Agricultura no dia 1º de fevereiro.

O Brasil exportou em janeiro US$ 146 milhões em carnes para os países da UE. Esse volume representou 40% do total das vendas externas do produto. Em 2007, as exportações de carne brasileira para o bloco totalizaram US$ 1,08 bilhão, de acordo com números do governo.

‘Surpresa’- O ministro da Agricultura disse também que ficou surpreso com o embargo determinado em janeiro, pois havia recebido avaliações positivas da União Européia sobre o controle sanitário brasileiro no fim do ano passado.

“Agora a União Européia nos surpreende na radicalização da medida que ela adota, já que eu conversei com três representantes da União Européia em novembro. Os três haviam me informado que haviam notado um grande progresso na área de aftosa e de sanidade em relação à última visita”, disse Stephanes aos senadores.

Famasul- O presidente da Famasul (Federação da Agricultura e Pecuária de MS), Ademar Silva Junior, que acompanhou a audiência pública do Senado que discutiu o embargo à carne, disse ser contra a lista do Mapa.. “Isso mostra uma subserviência dos produtores brasileiros”, disse.

Ele destacou ainda que a discussão não é uma questão sanitária. “Não estamos discutindo a questão sanitária e vamos atuar para credenciar as propriedades do Estado porque fizemos as lições de casa e não há foco de aftosa. Todas as exigências foram rigorosamente cumpridas”.

Conforme o presidente da Famasul, o Estado também é o maior com número de propriedades cadastrada. “O que a União Européia quer é o credenciamento de cada propriedade e não um sistema de rastreabilidade”, disse.

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