2008-02-08 11:40:00
"Agora é tolerância abaixo de zero (..) se esboçar reação é para meter bala, peço para a Polícia não atirar no chão ou para o alto, tem que atirar mesmo”.
Essa frase do governador André Puccinelli dita nesta quinta-feira em resposta aos recentes acontecimentos na Colônia Penal Agrícola (CPA), em que um carro do serviço reservado da PM2 foi incendiado pelos presos do estabelecimento do regime semi-aberto, foi parar na edição do Jornal Nacional na noite desta mesma quinta-feira, o principal telejornal do País.
A OAB, conforme o Jornal Nacional, considerou infeliz a fala do governador e disse que toda pessoa tem seus direitos, mesmo estando presas.
Puccinelli foi categório ao afirmar que agora o “tratamento é borduna e repressão” e que acha que pelo menos 200 dos 700 internos da CPA perderam o direito de progressão do regime. A lista, por enquanto, contém 63 nomes de internos que ainda não voltaram para o estabelecimento penal.
A repressão também vale, segundo o governador, para qualquer movimento ‘seja de branco, negro, sem-terra, brasileiro, italiano, índio’ que impeça o direito de ir e vir nas estradas. "Na minha opinião bloquear rodovia é crime. Se fecharem, a ordem é abrir, com espray de pimenta e bala de borracha’.
A repressão ao crime, segundo o governador, deve ir além dos internos da CPA, e irá atingir os que estariam aptos a ingressar na progressão de regime. Até o fim do mês, estava previsto o envio de 170 presos dos presídios de regime fechado para o semi-aberto, número que será revisto. Puccinelli disse que irá conversar com os juízes das Varas de Execuções Penais de Campo Grande para que este número seja revisto. “Quero negociar para deixar tudo trancado”, afirma.
O governador mantém a versão linha-dura também para bloqueios em rodovias. Para os sem-terra que optaram por esse tipo de manifestação, a resposta será bomba de efeito moral, spray de pimenta e gás lacrimogêneo.
Colônia Penal Agrícola – Na noite de terça-feira, dois policiais militares do serviço reservado foram cercados por presos da CPA. Os militares foram até o estabelecimento na busca de um dos internos, que estava participando de assaltos em Campo Grande. O comparsa dele já havia sido preso.
Quando os internos viram a aproximação dos policiais, revidaram. Os PM´s fugiram à pé e o carro usado por eles foi totalmente queimado. Os militares atiraram e usaram bombas de efeito moral, segundo eles, para evitar a aproximação dos presos e um ataque direto.











