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segunda-feira, 11 de maio de 2026

Editorial “Escândalo do cartão” por Clesio Ribeiro

2008-02-08 09:15:00


O Governo Lula enfrenta mais um escândalo de “farra” com o dinheiro público. Os gastos com cartões corporativos de ministros e secretários de primeiro escalão da presidência é o assunto na mídia nacional e internacional nas últimas semanas. A ministra Matilde Ribeiro, que comanda a Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial, pivô do escândalo, pediu demissão do cargo após ser “flagrada” pela mídia com gastos exagerados no seu cartão corporativo. Ela usou o cartão para alugar carros (R$ 100 mil no ano) e gastou R$ 461,16 em um free shop. Perto de outros escândalos, esse é uma fichinha, mas pode causar mais estragos no Governo que o escândalo dos  milhões desviados pelo “mensalão”.

Autorizados desde 1995, os cartões corporativos do Governo Federal foram instituídos em 2002 e entraram em funcionamento no primeiro ano da administração Lula. O objetivo do cartão é dar mais transparência e eficiência aos gastos emergenciais e essenciais de ministros e secretários de primeiro escalão. Antes o servidor  recebia dinheiro para pagar as desepesas e depois comprovava os gastos. O objetivo do cartão é agilizar os trabalhos de ministros e secretários. Mas como sempre é uma “farra”. Ministros usaram o cartão para pagar motel, cachaça, jogos de sinuca e compras em shopping. 

Fazer festa com dinheiro dos outros, infelizmente, é uma prática até comum do ser humano. Só sabe realmente dar valor ao dinheiro, aquele que gasta o seu suor no dia-a-dia para ganhá-lo. Só sabe dar valor a uma economia que se faz no mercado, nas tarifas de luz, água, telefone e combustíveis, aquele que tira o dinheiro do bolso para pagar as contas. No Governo Federal e em outras esferas estaduais e municipais, geralmente o servidor acha que aquele dinheiro público é para gastar à vontade.

Por isso o escândalo dos cartões corporativos não chega a impressionar a opinião pública. E só está chegando ao ponto que chegou – de derrubar ministros e provocar mudanças nas regras do seu uso – porque a mídia deu notoriedade. Os gastos exagerados e supérfluos do Governo Federal e de outras instituições sempre existiram e o Tribunal de Contas da União (lá também devem ter exageros) sempre aprova as contas dos governos; quando muito colocam a observação: “com ressalvas”.

Infelizmente o que vamos pagar pelas investigações que serão desencadeadas será muito maior do que o “rombo” que o uso indevido dos cartões causou aos cofres públicos. Causa indignação saber que tudo isso não dará em nada (tomara que desta vez não), a não ser a queda de um ou outro ministro, mas outros entram no lugar e com os mesmos vícios. A Justiça tinha por obrigação punir os envolvidos em escândalos desse tipo para servir de exemplo, como no caso dos “bandidos” do “mensalão” que estão sendo absolvidos. Brasil do Mensalão, do superfaturamento de obras, dos cartões corporativos. Um esgoto a céu aberto!!!

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