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domingo, 10 de maio de 2026

Disputa pelo Incra pode abalar base do governo federal

2008-02-05 17:02:00

A derrota do senador Valter Pereira (PMDB) na disputa pela Superintendência Regional do Incra pode deixar sequelas na base aliada do presidente Luiz Inácio Lula da Silva no Senado.

A saída do atual superintendente, Luiz Carlos Bonelli, também, provocaria racha na bancada do PT na Câmara dos Deputados com o deputado federal Vander Loubet votando com a oposição.

Esta é a preocupação do ministro das Relações Institucionais, José Múcio: os efeitos colaterais do resultado final da disputa pelo Incra. O governador André Puccinelli (PMDB) foi encarregado pelo Planalto para acalmar os ânimos de Valter. Trata-se de um assunto delicado no qual o governador não gostaria de se envolver. André acha que o Incra é um problema para o Planalto resolver, não para ele, até porque quem prometeu o cargo a Valter foi o Governo Lula.

Portanto, não será uma tarefa fácil convencer o governador a meter o dedo no vespeiro para persuadir o senador a aceitar a idéia de trocar o Incra por outro cargo no Governo federal ou desistir de uma vez por toda do órgão.

Se for pressionado a cair fora da disputa pelo Incra, o senador sinalizou que se sentirá livre para atuar com independência no Senado. Ele só votou a favor da prorrogação da CPMF depois de receber a garantia da nomeação do professor Flodoaldo Alves de Alencar para a Superintendência do Incra.

Para evitar maior desgaste político, Valter avisou ao ministro José Múcio e ao governador que vai desistir da disputa se Flodoaldo não for nomeado depois do carnaval. Mas deixou bem claro que não terá mais nenhum compromisso com o presidente Lula no Senado.

A argumentação do senador é a de que compromisso é para ser cumprido e não ficar apenas nas palavras. Em conversa com deputados, Valter disse que não aceita ser enrolado e muito menos enganado, porque está pagando um preço político muito caro por confiar no Planalto para bancar publicamente a mudança no Incra.

Até o senador Delcídio do Amaral (PT), que não está diretamente disputando o Incra, foi acionado pelo Planalto para ajudar nas negociações com Valter e Vander, que assumiu a defesa pela manutenção de Bonelli no comando do Incra.

A mobilização feita pelo Planalto é para segurar Valter na base aliada, impedindo-o de se juntar com os rebeldes do PMDB, como os senadores Pedro Simon (RS) e Jarbas Vasconcelos (PE).

O entrave das negociações é que tanto Valter quanto Vander assumiram posição extremista na guerra pelo Incra. A atitude dos dois assustou o Planalto. Nem o governador esperava por reação contundente de Valter em defesa na mudança do Incra com a argumentação de que é contra o modelo de reforma agrária implementado pelo atual superintendente do órgão. Além disso, declarou que a sua intenção era abrir a "caixa preta" do Incra para mostrar as irregularidades na reforma agrária no Estado.

Este vem sendo o maior problema de Bonelli. Ele está atolado em inúmeras irregularidades na compra de propriedades rurais para assentamento de trabalhadores do campo. Mesmo assim, usou de sua liderança e pressão sobre os acampados para bloquear rodovias em protesto contra a sua demissão do cargo.

A impressão que passou é de que a manifestação não foi de livre iniciativa dos acampados. Foi um ato orquestrado para pressionar o Governo federal a mantê-lo cargo e quem sofreu as consequências foram os motoristas, que ficaram "presos" nas rodovias bloqueadas.

O governador teve que usar a força com bala de borracha e gás de pimenta para reprimir os sem-terra que ocupavam as rodovias.

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