2008-02-04 03:47:00
Em cinco anos, escândalos envolvendo improbidade e corrupção derrubaram oito ministros do governo Lula. Matilde Ribeiro, da Igualdade Racial, foi a última a cair, após o fiasco da gastança com o cartão corporativo. Esse foi um caso clássico de abate rápido, embora não indolor. Outros ministros agonizaram nos cargos, gerando desgaste desnecessário ao governo.
A queda anterior à Matilde foi de Walfrido Mares Guia, que entregou a pasta de Relações Institucionais em 22 de novembro, minutos após ter sido denunciado pelo procurador-geral da República, Antonio Fernando de Souza, no caso do mensalão tucano.
Benedita da Silva (Assistência e Promoção Social) foi a primeira da lista de demissões, em 21 de janeiro de 2004. Em setembro de 2003, hospedou-se no Alvear, luxuoso hotel de Buenos Aires, com diária de US$ 400, à custa da União, para um café da manhã com evangélicos. Ela resistiu, mas perdeu a vaga.
Em 13 de março de 2004, o ministro dos Transportes, Anderson Adauto, chamuscado pela suspeita de ligação com um esquema de corrupção na Prefeitura de Iturama (MG), ficou sem a cadeira. Saiu da Esplanada e lançou-se para prefeito.
Já o ex-chefe da Casa Civil e deputado cassado José Dirceu (PT-SP) anunciou a sua saída em 16 de junho de 2005, dois dias após o então deputado Roberto Jefferson (PTB-RJ), autor da denúncia do mensalão, cobrar na TV a sua demissão. Dirceu foi o fiador das alianças que conduziram Lula ao Planalto.
Dirceu integrava o "núcleo duro" do primeiro mandato, assim como o ministro da Fazenda, Antonio Palocci (PT-SP) – hoje deputado -, outro membro do primeiro escalão que não resistiu a um escândalo. Elogiado até pela oposição e gozando de ampla confiança de Lula e do mercado, o petista entregou o posto em 27 de março de 2006.
O próximo a ceder o lugar foi Luiz Gushiken, outro ex-integrante do "núcleo duro". Rebaixado da Secretaria de Comunicação para o Núcleo de Assuntos Estratégicos, em meio ao escândalo do mensalão e à CPI dos Correios, ele se demitiu em 13 de novembro de 2006.
Fecha a lista o ex-titular de Minas e Energia Silas Rondeau. Ele perdeu a pasta em 22 de maio de 2007, três dias após ser apontado pela Polícia Federal como suspeito de ter recebido R$ 100 mil da Construtora Gautama, alvo da Operação Navalha. Com mais ou menos fritura, todos os ministros deixaram o cargo negando as denúncias.









