2008-02-04 15:08:00
O vice-ministro de Relações Exteriores da Rússia, Serguei Kizliak, disse nesta segunda-feira que Teerã deve interromper seus trabalhos de enriquecimento de urânio e retomar o cumprimento do protocolo adicional do Tratado de Não-Proliferação Nuclear.
"É necessária a cooperação plena do Irã com o Conselho de Governadores da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), particularmente no que se refere ao cumprimento do protocolo adicional de controle e congelamento dos trabalhos de enriquecimento", disse Kizliak à agência russa Interfax.
O protocolo adicional permite que técnicos da AIEA visitem praticamente sem aviso prévio qualquer instalação nuclear de um país-membro.
O vice-ministro declarou que isto é possível caso Teerã adote as "decisões políticas respectivas".
Kizliak lembrou que a Rússia ofereceu um centro de enriquecimento de urânio ao Irã em território russo para atender às necessidades de seu programa nuclear para a geração de energia elétrica.
"Esta proposta ainda está na mesa de negociações", acrescentou Kizliak, que disse que a utilização do centro de enriquecimento de urânio permitiria ao Irã cobrir suas necessidades "de maneira confiável e previsível".
No entanto, o vice-ministro destacou que o Irã "prefere desenvolver suas próprias capacidades em matéria de enriquecimento [de urânio] e durante muitos anos fez isto em segredo".
"Esta é uma das causas da preocupação com o caráter do programa nuclear iraniano", acrescentou.
Combustível- Kizliak afirmou que a Rússia já forneceu a primeira remessa de combustível para a usina de Bushehr, que companhias russas estão construindo em território iraniano. "Todas as necessidades do Irã referentes a combustível nuclear serão atendidas pela Rússia", declarou.
O vice-ministro acha que "o Irã não precisará de mais combustível nas próximas décadas, já que não há planos de construção de novas usinas tão cedo no país".
Kizliak também destacou que, cooperando com a AIEA, o Irã "avança na direção certa, pelo menos no esclarecimento das dúvidas sobre suas atividades no passado".
"Nossos colegas iranianos poderiam ter começado esse trabalho há muito tempo, sem perder anos no confronto, primeiro com o Conselho de Governadores da AIEA e depois com o Conselho de Segurança da ONU", concluiu Kizliak.










