2008-02-01 19:34:00
O governador do Mato Grosso do Sul, André Puccinelli (PMDB), defende que o Brasil pressione a União Européia a voltar a importar carne bovina brasileira. Uma proposta defendida pelo governador é sobretaxar produtos provenientes do bloco econômico europeu. Para o governador, a decisão da União Européia é de “interesse econômico e financeiro” e não teria relação com a questão sanitária dos animais. A declaração foi feita por ocasião da audiência com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na manhã de hoje.
Nesta semana, a União Européia comunicou a suspensão da importação da carne brasileira por período indeterminado. A decisão foi tomada depois de uma disputa em relação ao número de fazendas que o Brasil teria direito de certificar. Os europeus indicaram que poderiam aceitar a carne de 300 propriedades, entretanto, o País apresentou uma lista com 2.861 propriedades.
Ainda na Governadoria, André enumerou que a suspensão da importação de produtos de origem, por exemplo, na Inglaterra, Irlanda e Holanda já surtiria o efeito de reverter a decisão da União Européia. Para o governador, a pendência se resolveria na base da Lei de Talião (que preceitua “olho por olho, dente por dente”).
A União Européia decidiu pela suspensão da importação alegando ainda que o país não oferece garantias sanitárias suficientes. “Vamos levantar a nossa voz […]. Aumenta a alíquota de produtos que porventura importemos destes países e vejamos o que acontece. Coloca uma sobretaxa de 100%, 150% sobre os produtos que vêm da Inglaterra, Holanda, Irlanda e dos outros países da União Européia”, defendeu Puccinelli, após audiência com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, no Palácio do Planalto.
"Acho que eles estão palpitando demais e querem manter a hegemonia colonizadora que a Europa teve. Nós somos independentes e vamos tratar de dialogar de forma comercial na mesma estatura e no mesmo tamanho. Tem produtos que a comunidade européia traz para o Brasil? Tem. Importa? Importa. Vamos ver quais e vamos sancionar. Quero ver se demora muito esse embargo", afirmou.
De acordo com o deputado federal Waldemir Moka (PMDB), que também participou da audiência, cerca de 40% da carne brasileira exportada vêm do Mato Grosso do Sul. Em nota oficial, o Ministério da Agricultura classificou a decisão da UE de “injustificável e arbitrária” e negou falhas no sistema nacional de controle sanitário.
Até 15 de fevereiro, o ministério enviará os relatórios de auditoria solicitados pelo bloco. Além disso, uma delegação européia virá ao Brasil, em 25 de fevereiro, para inspecionar o sistema de rastreabilidade brasileiro – usado para identificar a procedência dos animais – adotado em 300 fazendas selecionadas pela Comissão Européia.
Segundo o Palácio do Planalto, durante a audiência, Lula propôs que a bancada de deputados do estado forme um grupo para discutir o assunto com a União Européia.










