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domingo, 10 de maio de 2026

Editorial “Coronel Sapucaia” por Clesio Ribeiro

2008-02-01 13:13:00


É lamentável a notícia de que Coronel Sapucaia é campeã nacional com a maior taxa de homicídios. O Mapa da Violência divulgado na terça-feira (29) pela Rede de Informações Tecnológica Latino-Americana e pelo Governo mostra que o município registrou 13 homicídios em 2006, cerca de um a cada mil moradores. Conforme critérios da ONU (Organização das Nações Unidas) para que uma cidade seja considerada “segura”, a taxa de homicídios não pode superar dez para cada 100 mil habitantes. Coronel Sapucaia registrou 13 homicídios para uma população de 13.828 habitantes. É lamentável, porque a notícia só serve para denegrir a imagem do município e região de fronteira, porque não vem acompanhada de nenhuma ação do Governo Federal.

A proximidade com a fronteira “aberta” com o Paraguai é a principal causa das altas taxas de homicídios, e a maioria tem a ver com o narcotráfico, acerto de contas, queima de arquivo e mortes encomendadas, devido à facilidade de fuga dos criminosos. Há cerca de quatro anos o senador Delcídio do Amaral (PT), em visita a Coronel Sapucaia, falou sobre a tramitação no Senado Federal de um projeto de desenvolvimento econômico para a fronteira, onde o foco seria tirar as famílias que trabalham com atividades ilícitas e oferecer outras alternativas de subsistência. Nunca mais se ouviu falar desse programa.  

Para reduzir as taxas de homicídio, os sociólogos recomendam investimento em políticas públicas. É preciso que o Governo atue nas áreas de emprego, educação, saúde e lazer, voltadas principalmente para o jovem. E o Governo precisa tratar a violência como uma questão de saúde pública, pois muitas pessoas morrem em conseqüência dela e famílias ficam desajustadas.

Infelizmente não vemos a ação concreta e efetiva dos governos Federal e Estadual para combater a violência na faixa de fronteira. Basta verificarmos o efetivo policial, tanto militar como civil, que é responsável pela segurança desses municípios fronteiriços. Coronel Sapucaia conta com apenas três policiais militares e dois civis (sendo um delegado e um agente que faz papel de escrivão). Impossível trabalhar para reduzir a criminalidade assim!!!

Mas talvez a notícia que denigre a imagem de Coronel Sapucaia venha num momento oportuno para o município tirar proveito da situação de violência, que não é agradável nem para a cidade, nem para a região de fronteira, nem para Mato Grosso do Sul e nem para o Brasil. É hora do Governo do Estado, juntamente com a bancada federal que representa o Mato Grosso do Sul, cobrar do Governo Federal investimentos na área de segurança para a fronteira.

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