2008-01-29 14:41:00
O contribuinte deve estar preparado nesta semana para começar a quitar alguns dos impostos que mais pesam no orçamento familiar. Até quinta-feira, o contribuinte deve pagar o Imposto sobre Propriedade de Veículos Automotores (IPVA), que vence dia 31. No dia 11 de fevereiro será a vez do Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU). Somados a estas despesas, estão também o pagamento da taxa de matrícula e o material escolar. Quem guardou dinheiro para pagar os dois impostos à vista vai receber 10% de desconto (IPVA) e 20% (IPTU).
O economista Valdemilson Thaada fez as contas e aponta se vale ou não fazer empréstimo para pagar os impostos. "Se considerarmos o IPTU no valor nominal de R$ 900, com um desconto de 20% para pagamento até dia 11 de fevereiro, teremos R$ 720. Assim, a idéia seria fazer um empréstimo no valor de R$ 720 para pagamento em dez parcelas, ou seja, o mesmo prazo concedido para pagamento parcelado pela Prefeitura Municipal".
As taxas de juros cheque especial e cartão de crédito estão fora de cogitação, de acordo com Thaada, pois são as mais altas do mercado. Existem outras modalidades de empréstimo, de acordo com o economista, como o CDC e o crédito consignado em folha onde as taxas de juro podem variar de 1,5% a 5% ao mês, dependendo da instituição financeira. Ele exemplifica com valor de R$ 900 de IPTU e avalia: "se considerarmos que referido empréstimo seja feito a uma taxa de 3% ao mês, teríamos dez parcelas de R$ 84,41, equivalente ao total de R$ 844,41. Se acrescentarmos a TAC que varia de uma instituição financeira para outra, que acredito estar em torno de R$ 50 a R$ 80, mais o IOF, atingiremos os R$ 900", analisa.
Thaada frisa que a taxa de 3% ao mês não vale a pena fazer o empréstimo. "Seria trocar seis por meia dúzia para assumir todos os inconvenientes e riscos de se ter um empréstimo numa instituição financeira, como a inscrição do nome na Serasa em caso de não-pagamento. A prefeitura faz a inscrição na dívida ativa em caso de não-pagamento. Além disso, haveria a possibilidade de em algum mês ocorrer o pagamento antes do dia 10, o que proporcionaria um desconto de 10% naquela parcela. Acredito que o empréstimo somente pode ser considerado uma opção interessante com taxas inferiores a 2% a.m., dependendo do valor da TAC".
Com relação ao IPVA, o economista frisa: "se considerarmos o valor nominal de R$ 400, teríamos um valor com desconto de 10% equivalente a R$ 360. Fazendo a mesma comparação, ou seja, considerando o empréstimo de R$ 360 para pagamento em três parcelas, com uma taxa de 3% ao mês, teríamos três parcelas de R$ 127,27, equivalente ao total de R$ 380,81. Se acrescentarmos a TAC e o IOF, certamente esse valor ultrapassará os R$ 400, que podem ser pagos em três vezes. Assim, também neste caso não vale a pena fazer o empréstimo".
Para o economista, existe uma exceção neste caso, em que o empréstimo pode se tornar uma boa opção sem considerar o preço pago, mas se relacionar ao custo de oportunidade. "Suponhamos que a pessoa precise do veículo para trabalhar e dependa do recolhimento do IPVA para manter a documentação em ordem e não ter o veículo apreendido e multado. Nessa situação, se a pessoa não tiver o dinheiro para pagar o IPVA nem mesmo em três parcelas, vale a pena ela fazer um empréstimo por um prazo maior e circular tranquilamente com seu veículo. Contudo, não se pode esquecer de que ela estará pagando um preço por isso – e não é barato".












