2008-01-17 09:32:00
O Grupo de Estudos em Proteção a Biodiversidade (Gebio), que reúne 62 ambientalistas de Naviraí, apresentou no Ministério Público Estadual (MPE) e na Delegacia de Polícia Civil, a denúncia de despejo de vinhoto dos tanques de decantação da Usinav no rio Amambaí, o que ocasiona morte de peixes.
O relatório escrito e fotográfico foi apresentado no ano passado, e não foi divulgado para a imprensa, para não atrapalhar o trabalho de investigação. Segundo a diretora-executiva do Gebio, Claudenice Zucca, o despejo de resíduos industriais foi verificado em abril, quando houve um passeio dos ambientalistas para identificar problemas, visando a recuperação das matas ciliares (Área de Preservação Permanente – APP) do entorno dos córregos Tarumã e do Touro.
Os ambientalistas resolveram montar plantões e observar como era a movimentação resultava no crime ambiental. Segundo Claudenice, foi notado que durante a noite os dejetos industriais (vinhoto ou vinhaça) eram despejados, através de uma tubulação, no rio Amambaí e que no outro dia, pela manhã, três funcionários da Usinav recolhiam os peixes mortos, para que não descesse o leito do rio, e não ficasse evidenciada a prova do crime ambiental.
Os ambientalistas fotografaram as ações e de longe, “fizeram” as fotos de um funcionário recolhendo os peixes. O relatório da Organização Não Governamental (ONG), datado de 30 de maio de 2007, foi entregue pra o promotor de Justiça do Meio-Ambiente, Luiz Gustavo Terçariol, que pediu para que a Delegacia de Polícia Civil Naviraí investigasse o caso.
A comprovação aconteceu com uma visita oficial (via mandado judicial) dos ambientalistas, juntamente com um perito criminal e um representante da Usinav, no local impactado e nas bacias de decantação.
Os ambientalistas do Gebio recolheram amostras de peixes pequenos, e não puderam identificar as espécies, pois os exemplares que estavam disponíveis eram pequenos (filhotes com menos de 10 centímetros).
Os ambientalistas aguardam os resultados dos exames da ictiofauna (peixes) e de qualidade da água para entregar para a Polícia Civil. O promotor Luiz Gustavo Terçariol disse apenas que está aguardando o resultado da investigação policial e deve oferecer a denúncia para a Justiça. O delegado responsável pelo inquérito, José Eduardo Rocha está em férias.
Na Usinav, ninguém comentou o assunto e ainda não há nenhuma medida adotada contra os responsáveis pela indústria.









