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sábado, 9 de maio de 2026

Amambay: Governador diz que brasileiros querem matá-lo

2008-01-17 09:35:00

Às vésperas de renunciar ao cargo para concorrer a uma vaga no Senado do Paraguai, o governador do Departamento de Amambay, Roberto Acevedo, apresentou ao Ministério Público e à justiça paraguaios uma denúncia apontando a existência de um plano de morte contra ele. Pela denúncia apresentada, entre os formuladores do plano estão brasileiros tidos como integrantes de organizações criminosas na fronteira.

O departamento de Amambay tem como capital a cidade de Pedro Juan Caballero, uma das localidades onde é forte a atuação de traficantes de drogas, do comércio de armas, do contrabando de produtos e é apontada como origem de produtos pirateados. Faz fronteira com a brasileira Ponta Porã, por sua vez uma das porta de entradas desses produtos no País.

Na denúncia que apresentou, Acevedo diz que as pessoas que querem matá-lo planejam fazer isso assim que deixar o cargo de governador. A renúncia está prevista para sexta-feira, 18 de janeiro. Ele vai concorrer a uma vaga no Senado pelo PLRA (Partido Liberal Radical Autêntico).

A denúncia foi feita ontem ao promotor de Justiça fiscal Justiniano Cardozo e hoje para o juiz Luis Alberto. Nela, o governador acusa diretamente três empresários da fronteira, um membro da organização criminosa PCC (Primeiro Comando da Capital), um pistoleiro e o dono de jornal de Pedro Juan Caballero de arquitetarem sua morte.

A LISTA- Quando os nomes são dados aos bois surgem figuras conhecidas da região e da justiça brasileira. Os empresários são os brasileiros com origem no Oriente Médio Tulu Georges, apontado como um dos cabeças da máfia da pirataria na região, e Jorge Rafaat, acusado de evasão de divisas, lavagem de dinheiro e tráfico de drogas, além da paraguaia Ramona Quevedo, prima do governador, dona de um shopping em Pedro Juan e apontada como inimiga de Acevedo.

Outro que está na lista dos conspiradores é Nilton Cezar Antunes Veron, traficante brasileiro integrante da facção criminosa PCC (Primeiro Comando da Capital). Um homem identificado ao mesmo tempo como pistoleiro como dirigente do Partido Colorado, Ananias Duarte, é outro que consta da lista. O último nome é do libanês radicado no Brasil Assad Khalil Kiwan, dono de um jornal em Pedro Juan.

KIwan é o mesmo homem que, em setembro do ano passado, foi alvo de um atentado em Pedro Juan, que deixou outras duas pessoas feridas. Na época, Kiwan acusou Roberto Acevedo de ser o responsável pelo atentado.

A denúncia apresentada agora pelo futuro ex-governador e candidato ao senado foi tipificada como ‘associação criminosa’ e estaria baseada num informe confidencial de um suposto pistoleiro contratado para matá-lo, cujo (nome não foi fornecido na denúncia). O homem teria se arrependido e decidido avisar o governador sobre o plano.

PRECAUÇÃO- Os adversários políticos alegam que a denúncia apresentada por Roberto Acevedo foi apresentada com o único objetivo de garantir a manutenção de sua segurança particular, que é feita por militares e agentes da Polícia Nacional. Fora do cargo, ele não teria mais o grupo de guarda-costas.

Acevedo deve apresentar sua renúncia nesta quinta-feira (17) à Mesa Diretora da Junta Departamental, que será convocada de forma extraordinária para sexta-feira analisar o pedido e oficializar a convocação de eleição para governador interino, que completará o período de mandato de Roberto Acevedo.

Os possíveis candidatos à sucessão do governador são Luis Alcides Quevedo Grance (PLRA) e o advogado e tabelião público Oscar Rafael Guerrero Gracia ( Partido Colorado), atual vice-presidente do Poder Legislativo de Amambay.



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