2008-01-12 13:34:00
A paulistana que está recebendo tratamento contra febre amarela e que, segundo o Ministério da Saúde provavelmente se infectou em Mato Grosso do Sul, esteve em Bonito e, inclusive teve contato com macacos, conforme o diretor de Vigilância de Saúde da Secretaria Estadual de Saúde, Eugênio de Barros. Ele afirma que não há como ser enfático em afirmar que a mulher contraiu a doença em Bonito, mas por precaução segue hoje com uma equipe de controle de vetores para fazer borrifação contra mosquitos no município, um dos mais visitados por turistas no Mato Grosso do Sul. Somente para o carnaval são esperados 15 mil turistas no município.
Barros afirma que ocorreram suspeitas de mortalidade de macacos em Aquidauna e Anastácio, por conta da doença, mas nada foi confirmado. Segundo ele, as carcaças encontradas já estavam em adiantado estado de putrefação e em outros casos somente ossadas foram achadas, inviabilizando o exame, feito a partir das vísceras. O mosquito é o vetor da doença e o macaco o hospedeiro. Eugênio diz, ainda, que não houve nenhuma outra confirmação da doença em Mato Grosso do Sul, embora tenham ocorrido suspeitas e conseqüentes pedidos de exames em Camapuã, Bataguassu, Campo Grande, Maracaju, Miranda e Jardim.
Segundo Eugênio, foi descartado, inclusive uma suspeita de turista vinda de Maringá (PR), que passou por Dourados e seguiu depois para Rondônia. “Não era febre amarela”, diz. De dezembro do ano passado até agora foram 15 notificações de febre amarela em todo o País e duas confirmações. Uma delas é justamente desta mulher que teria contraído a doença em Mato Grosso do Sul. Outra é de uma mulher de Brasília que teria se infectado em uma propriedade de ecoturismo de Goiás e acabou morrendo.
Caso confirmado –A paciente que é tratada em São Paulo saiu da Capital paulista, passou pelo Paraná e veio para Mato Grosso do Sul. Dia 27 de dezembro último, desembarcou em Dourados e no dia 28 foi para Bonito, cidade localizada a 247 quilômetros de Campo Grande. A turista ficou em Bonito até o dia 2 de janeiro. “Ela contou que esteve aqui, alimentou macacos e brincou com os animais”, diz Eugênio.
A mulher foi internada no hospital São Luiz, na cidade de São Paulo desde o dia 6, apresentando náuseas, vômitos e mal estar. Segundo o Ministério da Saúde seu quadro está melhorando gradativamente.
O diretor de Vigilância de Saúde destaca que um aspecto importante é que a doença não foi urbana. A febre amarela é tratada como uma epizootia, ou seja, transmitida de animal para animal, no caso o macaco. Porém, pode infectar pessoas que entrarem em contato com o ciclo silvestre. “Nossas cidades não tâm febre amarela. O pessoal está bem vacinada”, ameniza Eugêncio.
Pânico – As confirmações de casos de febre amarela estão motivando uma corrida aos postos de saúde para vacinação. Em Campo Grande na manhã deste sábado ocorre uma ação para vacinação no centro da cidade.
Eugênio alerta que não há motivo para pânico e que tomar doses repetidas para “garantir” a imunização impõe risco. “É besteira e pode fazer mal”, avisa. Ele diz que o Estado não descuidou em momento algum da vigilância. “O que temos há muito feito é estudar os mosquitos (vetores). Temos um entomologista, a equipe dele e laboratórios fazendo a análise dos mosquitos, além de um veterinário que estuda os macacos”, afirma.
No ano passado o Estado contou com 550 mil doses da vacina e na virada do ano ainda haviam em estoque 200 mil. A vacina pode ser feita de forma gratuita na rotina dos postos de saúde. A validade é de 10 anos.










