20.6 C
Amambai
quarta-feira, 6 de maio de 2026

Consumidores reclamam de alta nos combustíveis

2007-11-27 14:26:00

Ao chegar a um posto de combustíveis localizado na região central de Campo Grande, a comerciante Marisa Teixeira, 40 anos, foi surpreendida por mais uma alta no preço nas bombas e questionou o frentista qual seria o motivo do aumento. O funcionário do estabelecimento não teve explicação e restou a ela abastecer o carro, já que os preços praticados na Capital apresentam poucas variações de um local para outro. “Parece que a gente está sendo roubado, lesado. Dá uma sensação de impotência”, lamenta Marisa.

A comerciante afirma que esteve recentemente em São Paulo, onde pagou cerca de R$ 2,29 pelo litro da gasolina. No entanto, quando foi abasteceu o veículo aqui percebeu uma variação significativa e teve de pagar R$ 2,83 pelo litro do combustível. “Acho que é um cartel, uma máfia”, critica.

A revolta de Marisa é justificável: a gasolina comercializada em Mato Grosso do Sul é a quarta mais cara do Brasil, conforme o levantamento mais recente da ANP (Agência Nacional de Petróleo). O preço médio por litro nos postos do Estado é R$ 2,754, mas há empresário cobrando até R$ 2,89. Com preço médio de R$ 2,379, o Estado de São Paulo, tem a gasolina mais barata do País. Já em Mato Grosso, o preço médio é de R$ 2,869 por litro.

“É um absurdo esse preço. Ninguém agüenta não”, reclama o motorista Antônio Ribeiro, 54 anos. Ele afirma que a alta no preço já o faz pensar em utilizar o transporte coletivo para se deslocar ao trabalho. “De carro eu gasto R$ 10,00 por dia, de ônibus sai por R$ 8,00, assim eu economizo R$ 2,00 por dia”, contabiliza. Neste caso, o carro seria usado apenas para programas de lazer em família.

Atitude semelhante adotou o ajudante de motorista Alexandre Martins, 31 anos. Ele revela que tem deixado o carro em casa para ir de bicicleta algumas vezes na semana, como forma de economizar. “É bom que já faço um pouco de exercício”, ironiza.

ICMS alto – Dono de dois postos de combustíveis, Waltrudes Pereira Lopes, atribui o alto valor ao ICMS (Imposto Sobre Circulação de Mercadorias e Serviços). Ele afirma que em cada litro de gasolina há embutido R$ 0,71 referente ao tributo. No entanto, segundo o próprio empresário, o percentual de ICMS cobrado sobre a gasolina em São Paulo e em Mato Grosso do Sul é o mesmo. Neste caso, ele afirma que a distância até chegar em nosso Estado encarece o produto.

Segundo Lopes, existe uma pauta que dita as regras de mercado e estipula valor de R$ 2,83 pela gasolina comercializada em Mato Grosso do Sul. Ele garante que os empresários que vendem o combustível abaixo deste preço têm prejuízo e “estão fadados à falência”. A venda de combustíveis na Capital, com preços muito próximos, é alvo de investigação do Ministério Público Estadual.

Leia também

Edição Digital

Jornal A Gazeta – Edição de 05 de maio de 2026

Clique aqui para acessar a edição digital do Jornal...

Enquete