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terça-feira, 5 de maio de 2026

Sapucaia:Índios são feridos a tiro durante confronto

2007-11-17 20:31:00

Vilson Nascimento

Quatro indígenas foram feridos a tiros durante um confronto com produtores rurais na tarde desse sábado (17) na Aldeia Taquapery em Coronel Sapucaia.

O grupo, cerca de 50 índios guarani-kaiowá havia invadido pela terceira vez, na manhã de quinta-feira (15) a Fazenda Madama, situada na divisa entre Coronel Sapucaia e Amambai e na manhã desse sábado (17) havia deixado a área após acordo com os produtores rurais da região.

Os indígenas foram trazidos de volta para a Aldeia Taquapery, onde residem, por um caminhão fretado pelos próprios produtores rurais e teria sido acompanhado por um grupo de produtores, porém ao realizar o descarregamento dos pertences dos indígenas ocorreu o desentendimento e os disparos.

Segundo os líderes indígenas os disparos foram efetuados pelos produtores e identificaram Luciano Zamai como sendo o autor da maior parte deles, já os produtores rurais alegam que os disparos teriam partido dos indígenas.

Durante a confusão quatro guarani-kaiowá, Neo Lopes de 35 anos, Gilmar Batista de 22, Astúrio Benites de 23 anos e Angélica Barrios de 22 anos acabaram feridos a bala.

Ajudante ficou refém- Durante o tiroteio o motorista do caminhão que realizava o transporte dos indígenas, Edelfoso Vicentin, que afirma que teve um dos pneus de seu caminhão furado à bala pelos índios, conseguiu escapar, já seu funcionário, Alexandro Gomes de Oliveira de 28 anos, residente em Amambai não teve a mesma sorte.

Ele foi capturado e violentamente espancado pelos indígenas. “Parte queria me matar e parte deles não deixava”, disse Alexandro que foi libertado pela Polícia Militar após uma longa negociação entre o comandante da 3ª Companhia Independente de Polícia Militar de Amambai, unidade ao qual o Pelotão PM de Coronel Sapucaia pertence, capitão Jidevaldo de Souza Lima e as lideranças do grupo indígena.

Índios também estavam armados, disse ajudante– Em sua primeira versão ao ser resgatado pela Polícia Militar, o ajudante Alexandro Oliveira disse não ter visto arma em poder dos indígenas, porém já da Delegacia de Polícia Civil de Coronel Sapucaia, longe do grupo indígena, ele apresentou uma nova versão e disse que os indígenas portavam arma de fogo sim, porém disse não saber de onde partiu o primeiro disparo, se da parte dos índios ou da parte dos produtores.

Produtores dizem que índios atiraram- Segundo os produtores rurais que estiveram no local durante o confronto os disparos teriam partido dos indígenas.

Christiano Bortolotto, presidente do Sindicato Rural de Amambai, afirmou que teve sua caminhonete alvejada e teria escapado por sorte dos disparos e do ataque dos guarani-kaiowá.

De acordo com Christiano ele, que estaria com a caminhonete carregada de cestas básicas para distribuir aos indígenas por conta do acordo firmado para a desocupação da área invadida até que a situação sobre as terras fosse definida, teria participado diretamente da negociação para a desocupação da Fazenda Madama pela manhã.

Segundo o presidente o diálogo entre produtores e indígenas fluiu normalmente e ambas as partes entraram em acordo, porém, ao chegarem na aldeia para descarregar as cestas básicas, eles teriam sido cercados por um grupo de indígenas, quando em determinado momento, sem motivos, ele e seus acompanhantes teriam sido atacados, foi quando os indígenas teriam efetuado os disparos.

Segundo Christiano ele não teria visto nenhum produtor rural atirando contra dos indígenas e teria recebido com surpresa a notícia da existência de quatro indígenas feridos.

Delegado só ouviu uma testemunha- Apesar da gravidade do problema, que resultou em pelo menos cinco pessoas feridas, quatro índios e um branco, inclusive uma indígena estaria ferida e em estado grave, o delegado de Policia Civil de Coronel Sapucaia, Dr. Marcus Geraldo Santos Cordeiro ouviu apenas uma testemunha, Edelfonso Vicentin, motorista do caminhão que realizou o transporte dos indígenas da Fazenda Madama até a aldeia.

O ajudante, Alexandro Oliveira que estava bastante machucado e permaneceu refém dos indígenas e o um grupo de indígenas que esteve envolvido e presenciou o confronto, que foi conduzido até a Delegacia pela Polícia Militar, foi dispensado e só deverão ser ouvidos na semana que vem.

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