2007-11-17 09:34:00
De toda a água que se retira de mananciais para abastecer as capitais brasileiras, quase a metade (45%) se perde antes de chegar às casas e atender a população. A principal causa são os vazamentos na rede.
Porto Velho tem a pior situação entre as capitais em termos percentuais –78,8%– e o Rio de Janeiro tem a maior perda se for levado em conta o volume total jogado fora –o equivalente a 618 piscinas olímpicas.
Em São Paulo, a perda é menor do que a média das capitais e fica em 30,8% –em 2001, a estimativa era de 33,5%. Mesmo assim, o extravio ainda é muito superior ao considerado aceitável por especialistas –entre 15% e 20%. O Japão, por exemplo, tem perda de apenas 4%.
O problema não é novo. Em 2002, o Ministério das Cidades estimava a perda nacional de água em 40%. Desde então, a situação piorou.
Para chegar à quantidade de água perdida na rede, a conta é a seguinte: faz-se a subtração entre o que é retirado dos mananciais (a medição acontece nas Estações de Tratamento de Água) e o que é consumido pela população. Por isso, acaba sendo computado como perda, além de vazamentos, os erros de medição, as fraudes nos hidrômetros e as ligações clandestinas de água.
Segundo a Sabesp, por exemplo, os vazamentos são responsáveis por 65% do total perdido na capital paulista.
Esses e outros dados sobre abastecimento e consumo de água serão apresentados pelo ISA (Instituto Socioambiental) na próxima quarta-feira, no evento de lançamento da campanha "De Olho nos Mananciais", apoiada pela modelo Gisele Bündchen. A top model cedeu sua imagem para a divulgação da iniciativa.
As informações foram obtidas no Snis (Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento), do Ministério das Cidades, e têm como referência o ano de 2004. Os dados de São Paulo foram atualizados pela Sabesp e são de 2007.
Segundo Marussia Whately, coordenadora do Programa Mananciais do ISA, para alterar o quadro atual é necessário combate intenso aos vazamentos. "O atendimento rápido é muito importante. É preciso ter um sistema eficaz de monitoramento para notar os problemas e resolvê-los."
A instituição ressalta que a participação da população é essencial: as pessoas devem avisar as empresas sobre os vazamentos e cobrar o reparo.
Para José Aurélio Boranga, presidente da Abes (Associação Brasileira de Engenharia Sanitária e Ambiental), é imprescindível investir em tecnologia e trocar a tubulação antiga.
De acordo com ele, as maiores perdas ocorrem nos ramais –pontos em que a água deixa a rede da rua e segue para as casas. "Fazer conserto em ramal é perder dinheiro. Quando há vazamento, precisa trocar."
Segundo as associações brasileiras de empresas estaduais (Aesbe) e de concessionárias (Abcon) de saneamento básico, seriam aceitáveis índices de perdas sempre abaixo de 20%, o que é raro no Brasil.
O superintendente-executivo da Aesbe, Walder Suriani, aponta o déficit tecnológico na estrutura do sistema e dos materiais empregados nas tubulações de água. "O material empregado no Brasil é frágil. Usamos tubos de 100 m com juntas a cada seis metros [o que permite mais vazamentos]”, diz.
O presidente da Abcon, Fernando Mangabeira, afirma que os resultados demoram a aparecer. A empresa que ele dirige, a Águas de Limeira, do interior de SP, levou sete anos para fazer caírem as perdas de 45% para 18%. "Não pode parar de investir, é preciso manter essa estratégia sempre."










