2007-11-09 14:10:00
Camarilha de Canastrões
Você acredita em alguma declaração do presidente da República, o excelentíssimo senhor Luiz Inácio Lula da Silva? Pois não devia. Já foram tantas as promessas não cumpridas, as bravatas, as gafes, a mania de acoitar auxiliares envolvidos em falcatruas, que fica difícil acreditar na sinceridade de intenções, atos e palavras.
Lula é um rematado mentiroso; desses compulsivos mesmo. E, pior, acha que toda a população brasileira é constituída de otários ou gente com seu nível de instrução e acredita que por ter tido 60 milhões de votos entre os miseráveis comprados com o Bolsa Família, uma esmola bancada com o nosso dinheiro, todas as sua “verdades” colam.
Diz o presidente Lula, com relação a um terceiro mandato: ‘O Brasil não pode brincar com uma coisa chamada democracia’. Mas por outro lado, defende a perpetuação de “compañero” Chavéz, quando declara: “…já vi o Helmut Kohl ficar tantos anos no poder e nunca vi ninguém perguntar se a proposta de vários mandatos sucessivos era ruim.”
Mostra que ele está muito interessado em sua re-reeleição mostrando ainda na sua crassa ignorância desconhecer a diferença entre os regimes presidencialistas da América do Sul com o parlamentarismo europeu e como sempre, confunde testículos com equinócio.
A seguir, trechos de um artigo escrito pelo deputado gaúcho Onyx Lorenzoni: “…A maior evidência de que o PT tentará de tudo para emplacar o terceiro mandato é o surgimento do movimento quero-quero na Câmara, capitaneado por deputados da base, um dos quais amigo íntimo do presidente da República. Dentro de alguns dias devem apresentar Proposta de Emenda à Constituição abrindo caminho para o terceiro mandado. O raciocínio deles é simples: se ganham a batalha CPMF contra a oposição, a classe média e boa parte do empresariado, por que não tentar emplacar mais quatro anos para o presidente? Por que não impor esse casuísmo, essa excrescência? Afinal, já há o exemplo de Hugo Chávez aqui ao lado, e outro vizinho, o argentino Néstor Kirchner, prepara-se para passar a faixa para Cristina, sua mulher, e para continuar morando na Casa Rosada.
…Nos últimos cinco anos, o governo Lula e seus aliados conseguiram desmoralizar o Poder Legislativo e agora partem para a desmoralização do Executivo, arquitetando este golpe chamado terceiro mandato. E se vingar o terceiro, por que não tentar o quarto ou o quinto?
O maior herói de Lula é ele mesmo que – do alto de sua vaidade sem limites – se julga um predestinado. Tão predestinado e tão candidato de si mesmo que jamais se preocupou em construir uma candidatura capaz de sucedê-lo dentro da normalidade. E a convivência despudoradamente amistosa com ditadores africanos “reeleitos”, para os quais o presidente não mede elogios, certamente foi inspiradora…”.
Temos assistido a um verdadeiro desfile de ministros e altas figuras do PT criticando duramente a proposta do terceiro mandato. Parece até coisa encomendada, porque Guido Mantega, Paulo Bernardo, Luiz Dulci, Dilma Rousseff, Marco Aurélio “top, top” Garcia, Tarso Genro, Tião Viana, Arlindo Chinaglia e outros personagens da intimidade do presidente Lula repudiaram a hipótese de ser aprovada emenda permitindo ao chefe do Governo disputar mais um mandato no exercício de suas funções.
Como bons companheiros e puxa-sacos rezam pela cartilha da mentira tão bem aplicada pelo chefe. O raciocínio é simples e lógico, porque sem o terceiro mandato, isto é, sem Lula disputando as eleições, condena-se o PT a perder o poder, já que falta ao partido um candidato em condições de vitória. Menos ele.
Assim, as perguntas surgem: admitiria Guido Mantega deixar o todo-poderoso comando da política econômica para aceitar dar aulas de economia numa universidade qualquer? Paulo Bernardo, do Planejamento, recomeçaria do zero sua carreira política, sabendo que perdeu, faz muito, as chances de se eleger deputado federal? Luiz Dulci, secretário-geral da presidência, abdicaria da condição de estrategista maior da política palaciana para voltar a dar aulas de latim e português num cursinho de vestibular?
Dilma Roysseff, de chefe da Casa Civil e primeira-ministra informal do Governo, retornaria à vida sindical no Rio Grande do Sul? Marco Aurélio “top, top” Garcia conseguiria tornar-se consultor para assuntos de política externa? Pois é. Hoje, eles e outros se mostram contrários ao terceiro mandato, mas, à medida que 2010 se aproximar, resistirão à tentação de manter o poder e a importância que seus cargos ensejam?
Preparem-se!













