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domingo, 3 de maio de 2026

Caso Morel na fase final: Beira-Mar mantido como acusado

2007-10-30 19:42:00

Entrou na reta final o processo em que o traficante Luiz Fernando da Costa, o Fernandinho Beira-Mar, 40 anos, é acusado de ser o mandante do assassinato de outro traficante, João Morel, assassinado no Presídio de Segurança Máxima de Campo Grande, em janeiro de 2001, a golpes de faca artesanal. O juiz responsável pelo caso, Júlio Roberto Siqueira Cardoso, abriu prazo, na semana passada, para a defesa dos quatro réus do processo, entre eles Beira-Mar, apresentem sua defesa.

O Ministério Público Estadual, responsável pela acusação, já apresentou suas alegações finais, e manteve a acusação contra Beira-Mar, conforme o Campo Grande News apurou. A tese sustentada é que o traficante, hoje cumprindo pena no Presídio de Segurança Máxima da Capital, contratou detentos que cumpriam pena junto com Morel para assassiná-lo, numa espécie de vingança desencadeada depois que o preso, um antigo sócio de Beira-Mar, virou seu desafeto.

Não só Morel teria sido alvo dessa vingança, mas também filhos dele, assassinados na região de fronteira entre o Brasil e Paraguai. Os crimes ocorreram depois que o patriarca da família, João Morel, virou uma das testemunhas da CPI do Narcotráfico, em 2000.

Depois das alegações finais do MPE e da defesa dos réus, o juiz do caso se manifesta, decidindo se leva ou não os réus a julgamento. Em julho, o magistrado disse em entrevista ao Campo Grande News que via poucas chances de Beira-Mar ser incriminado pela morte de Morel.

Em abril, o promotor que estava cuidando do caso, Celso Botelho, chegou a pedir novas providências, como a cópia dos depoimentos de Morel à CPI que investigou o narcotráfico, que poderiam provar a delação de Beira-Mar feita por ele, considerada um dos pivôs para que o traficante encomendasse a morte do ex-sócio. Na época, o promotor avisou que, se as novas diligências não dessem resultado, ele próprio pediria a chamada impronúncia, ou seja, a extinção da acusação contra Beira-Mar.

Um condenado – Até hoje, só Odair Moreira da Silva foi condenado pela morte de Morel. Logo depois do assassinato, ele disse que matou Morel por legítima defesa. Havia pelo menos mais 4 detentos na cela, e um deles apontou uma versão diferente, dizendo que havia um plano, a mando de Beira-Mar, para executar Morel, e que o crime teria sido encomendado por R$ 180 mil, dos quais R$ 50 mil seriam destinados ao detento.

Há também a versão de que a família de Odair teria recebido uma chácara próximo a Campo Grande de Beira-Mar, transação que não foi provada e que seria considerada também uma das provas contra Beira-Mar.

Inicialmente, eram sete réus no caso, além de Beira-Mar. Odair foi condenado, três morrerram e outros três são réus junto com o traficante carioca, todos detentos que estavam na cela em que João Morel foi encontrado morto.

Fernandinho Beira-Mar é alvo ainda de outro processo que corre no Estado, na Justiça Federal, por lavagem de dinheiro. Nessa ação, a cargo do juiz federal Odilon de Oliveira, não foram ouvidas nem as testemunhas de acusação. São mais de 50 e a justiça ainda estuda como pode ser feita a audiência, uma vez que o réu tem direito, garantido pelo Supremo Tribunal Federal, de participar de todas elas. As testemunhas são de Coronel Sapucaia, quartel-general do bando de Beira-Mar e por isso mesmo descartado como sede da audiência, por causa do risco à segurança dele. Lá, também estão os inimigos dele, conforme a justiça avalia.

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