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sábado, 2 de maio de 2026

Erro do BB originou tentativa de fraude de R$ 1 bilhão

2007-10-20 11:30:00

A tentativa de um golpe bilionário contra o Banco do Brasil teve início com um erro de digitação da própria instituição em um informe de rendimentos de um correntista do Interior de São Paulo, segundo explicou na tarde desta sexta-feira (19) o coordenador das investigações da Operação Alquimista, Rodrigo de Campos Costa.Há cerca de dez anos, o Banco do Brasil emitiu o documento para declaração de Imposto de Renda de seu cliente em que constava uma movimentação milionária (cerca de R$ 1 bilhão em valores corrigidos).

A identidade do correntista não foi revelada pela Polícia Federal. Morador em Americana, a 128 km de São Paulo, o homem que hoje é aposentado, negou ao Banco do Brasil que tivesse tamanho saldo. O banco corrigiu o erro. LaranjaEm 2005, oito anos depois do erro, o correntista – chamado pelos policiais federais de "laranja" – conheceu integrantes da quadrilha que acaba se ser presa pela PF. Como o aposentado do INSS ainda mantinha em seu poder o documento que constava o saldo com o erro de digitação, ele foi convencido pelos criminosos a tentar sacar a quantia no Banco do Brasil. Em troca, ele ganharia 5% do valor.

Como o golpe não deu certo e a PF descobriu, ele está preso e será indiciado por tentativa de estelionato e formação de quadrilha.De acordo com o delegado Campos, dois funcionários do Banco do Brasil e dois auditores da Receita Federal agiram no sentido de "tentar" criar a obrigatoriedade para fazer o saque. "Em nenhum momento houve a possibilidade do saque, mas a tentativa houve sempre", esclareceu o superintendente da PF em São Paulo, Jaber Saad.

 Receita FederalAinda de acordo com a PF, para que o golpe se concretizasse, os servidores da Receita chegaram a confeccionar um termo de ação fiscal contra o correntista para simular suposta sonegação fiscal. Os funcionários do BB passavam informações de como funcionava o sistema bancário. A PF suspeita do envolvimento de executivos de alto escalão do banco no esquema e não descarta o pedido de novas prisões à Justiça Federal.

Um delegado da PF aposentado e um ex-deputado estadual do Rio de Janeiro também agiram como lobistas, fazendo contatos com políticos e advogados para tentar retirar o dinheiro do banco.O saque se daria por meio de um processo administrativo do banco. Os policiais ainda não sabem se o saque se daria por meio de só retirada ou por várias delas.

 PrisõesDos 24 mandados de prisão expedidos, 23 foram cumpridos. A PF apreendeu documentos, computadores e as quantias de R$ 40 mil e R$ 25 mil em residências de São Paulo. Além dos auditores da Receita e dos analistas do BB, também foram presos quatro advogados, o ex-delegado da PF, um coronel reformado do Corpo de Bombeiros e doleiros.

A ação bloqueou 15 contas bancárias nos Estados Unidos e no Uruguai. Os doleiros devem ser indiciados por suspeita de lavagem de dinheiro. Eles teriam o papel de remeter o dinheiro sacado para contas em paraísos fiscais para que futuramente os valores retornassem ao Brasil licitamente.

Segundo a PF, a Operação Alquimista ganhou este nome em referência aos químicos que se dedicaram a uma fórmula para transformar metais comuns em ouro. Paraíso fiscalNa investigação da tentativa de golpe de R$ 1 bilhão, a PF localizou o grupo especializado em enviar dinheiro a paraísos fiscais. O objetivo desses doleiros, segundo a PF, seria fazer a lavagem do dinheiro a ser retirado do BB.

A PF define a estrutura do grupo de doleiros preso nesta sexta-feira como "altamente sofisticada", pois a quadrilha realizava transferências de altas quantias entre contas bancárias no exterior para beneficiários brasileiros à revelia da fiscalização do Banco Central e da Receita Federal através de modalidade conhecida como "dólar-cabo".

Os suspeitos responderão por crimes de corrupção ativa e passiva, formação de quadrilha, tentativa de estelionato, evasão de divisas e lavagem de dinheiro. As penas variam de 5 a 10 anos de reclusão.


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